19/12/2025
Na perspectiva védica, a criação manifesta-se como um processo dinâmico e contínuo entre o silêncio e o som. Toda forma, pensamento e movimento emergem de um campo fundamental de consciência pura, um estado silencioso, não manifesto, que precede e sustenta todos os fenômenos. Maharishi Mahesh Yogi descreve esse campo como a “lacuna” entre dois pensamentos, um nível sutil da mente onde reside a inteligência organizadora da natureza (Mahesh Yogi, 1969; 1972).
Do ponto de vista científico-contemplativo, esse campo pode ser compreendido como um estado de coerência máxima, no qual a consciência atua como princípio estruturante, regulando a ordem, a complexidade e a auto-organização dos sistemas vivos. Pesquisas em neurofisiologia indicam que estados meditativos e de silêncio interior estão associados a maior integração e conectividade neural, modulação da atividade oscilatória cerebral e alterações na entropia e complexidade dos sinais neurais, refletindo maior eficiência funcional do sistema nervoso (Fox et al., 2016; Martínez Vivot et al., 2020; Wang, 2025).
Ao tornar-se consciente desse silêncio interno por meio da atenção refinada e da experiência direta, o indivíduo alinha sua atividade mental e biológica com esse nível fundamental de inteligência. Evidências empíricas sugerem que esse alinhamento favorece processos de autorregulação fisiológica e emocional, criatividade espontânea e reorganização funcional de redes cerebrais associadas à atenção e à consciência (Tang, Hölzel & Posner, 2015; Scientific Reports, 2021), conectando o ser humano ao mais profundo poder criativo da natureza.