20/11/2025
Esse cansaço emocional acumulado é uma forma silenciosa e profundamente violenta de adoecimento.
O racismo pode não aparecer como diagnóstico no DSM, mas aparece no corpo, no sono, na autoestima, na ansiedade, na culpa, no medo de errar e na necessidade constante de provar seu valor.
Como disse Neusa Santos, “tornar-se negro é um processo doloroso em uma sociedade que insiste em negar nossa humanidade”.
E é justamente por isso que o cuidado emocional da população negra precisa ser tratado com responsabilidade.
A clínica pode ser um espaço de cura, mas só quando a experiência racial não é minimizada, patologizada ou tratada como “vitimismo”.
A representatividade também cura. Ser atendido por alguém que te enxerga de dentro, que compreende seus contextos raciais sem que você precise traduzir sua dor, traz segurança emocional e permite um nível de abertura muitas vezes impossível antes.
Por isso, é urgente que haja mais psicólogos negros atuando e ocupando seus espaços e que todos os psicólogos tenham letramento racial na prática clínica.
Profissionais negros ou não, precisam compreender a construção histórica do sofrimento psíquico da população negra, como o racismo se infiltra na identidade, nas relações e no corpo e que “neutralidade” frente ao racismo é, na verdade, omissão.
Como afirma Lélia Gonzalez, não há clínica verdadeiramente ética se ela ignora as marcas do racismo na subjetividade.
Desejamos que cada pessoa preta seja acolhida pela Psicologia, seja como paciente, encontrando profissionais com escuta qualif**ada e letramento racial ou como psicólogo(a), ocupando seu lugar pelo seu saber, sem que o racismo dificulte seu caminho.
Por uma Psicologia que cuida de verdade.
Por um mundo mais justo, com mais vozes pretas em todos os lugares!