30/01/2026
A morte do Orelha não é apenas um caso isolado de crueldade.
Ela escancara algo que nos atravessa como sociedade.
Quando a justiça falha — ou parece falhar — o sentimento coletivo se desorganiza. Surge a revolta, a descrença, o desejo de vingança. Não porque as pessoas sejam más, mas porque o senso de justiça é uma necessidade psíquica básica. Sem ele, o pacto social se rompe.
Casos de violência contra animais não podem ser minimizados. Na clínica, sabemos que a crueldade repetida, especialmente quando começa cedo, é um sinal de alerta importante. Não se trata de rotular, mas de reconhecer que atos assim falam de falhas graves na construção de limites, empatia e responsabilidade.
A comoção social mostra algo potente: quando o Estado falha, a comunidade tenta sustentar o que não pode ser perdido — o valor da vida, do cuidado e da proteção dos mais vulneráveis.
Denunciar também é um ato de cuidado.
Em casos de maus-tratos contra animais, ligue 181.
Que essa dor não se transforme apenas em ódio, mas em consciência, responsabilidade e exigência de justiça real.
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Alexandra Ardivino Ferreira Leite
Psicanalista | Psicóloga
CRP 08/06897