26/02/2026
Eu trabalhei anos dentro da Delegacia da Mulher.
E uma coisa que aprendi é que violência não começa no ato, mas na cultura que a normaliza.
Quando uma decisão pública sugere que é ‘normal’ um homem de 35 anos se relacionar ou se casar com uma criança de 12, nós não estamos discutindo apenas um processo, mas sobretudo valores.
Porque existe uma diferença enorme entre maturidade biológica e maturidade psíquica.
Uma criança não tem estrutura emocional, cognitiva ou social para consentir numa relação com um adulto. E isso não é opinião, é desenvolvimento humano.
Quando autoridades - muitas vezes homens - relativizam essa desigualdade de poder, o que se transmite para a sociedade é perigoso: que a vulnerabilidade pode ser passível de interpretação, quando na verdde ela deveria ser protegida.
Defender isso não é militância.
É responsabilidade ética.