06/08/2025
O ALÍVIO IMEDIATO QUE PODE CUSTAR CARO ao CÉREBRO
O uso frequente de analgésicos para enxaqueca pode parecer uma solução rápida — mas a ciência tem mostrado que o preço pode ser alto, especialmente para o cérebro.
Um estudo publicado em março de 2024 no The Journal of Headache and Pain revelou alterações preocupantes em áreas cerebrais de mulheres que faziam uso excessivo de analgésicos. Através de exames de ressonância magnética funcional, os investigadores chineses detetaram uma redução significativa da substância cinzenta no hipocampo esquerdo, estrutura essencial para a memória, regulação emocional e aprendizagem.
Além disso, foram observadas alterações no putâmen, região envolvida no controle motor e tomada de decisões automáticas. Essas mudanças estão associadas a uma menor capacidade cognitiva e a um aumento do risco de desenvolver doenças neurodegenerativas.
> "Quanto mais remédios você toma, menos eles funcionam e mais dor você sente."
— Dr. Tiago de Paula, neurologista
A Ligação Direta com o Alzheimer
A perda de volume do hipocampo não é um simples efeito colateral. Trata-se de um dos primeiros marcadores estruturais da doença de Alzheimer. Vários estudos, como os publicados em Neurology (2018), associam essa redução à aceleração do declínio cognitivo e comprometimento da memória de longo prazo.
O uso crónico de analgésicos, principalmente opioides e anti-inflamatórios, pode alterar o metabolismo cerebral, aumentar a inflamação e afetar a plasticidade neural, enfraquecendo a capacidade do cérebro de se regenerar e adaptar.
Alternativas para Enxaqueca Crónica: Uma Perspetiva Integrativa
A boa notícia é que existem caminhos naturais e eficazes para lidar com a enxaqueca sem comprometer o cérebro. Eis algumas abordagens integrativas com base científica:
🔹 Alimentação anti-inflamatória: eliminar alimentos gatilho (glúten, laticínios, aditivos, álcool), aumentar gorduras boas (EPA/DHA, azeite virgem extra, abacate), vegetais crucíferos e magnésio.
🔹 Suplementos neuroprotetores: magnésio glicina ou treonato, riboflavina (B2), coenzima Q10, melatonina, curcumina e ácido alfa-lipóico.
🔹 Regulação do sono e stress: técnicas de respiração, yoga, exposição ao sol matinal e controle do uso de ecrãs à noite.
🔹 Fitoterapia: gengibre, petasites, matricária e tanaceto demonstraram eficácia clínica em estudos controlados.
🔹 Terapias corpo-mente: biofeedback, acupuntura e osteopatia crânio-sacral podem reduzir a frequência e intensidade das crises.
Cuida do Teu Cérebro como do Teu Coração
A dor é real, mas o caminho para a cura começa pela escuta do corpo, não pelo silenciamento dos sintomas.
O alívio imediato pode parecer necessário, mas a longo prazo, preservar a integridade cerebral é a escolha mais sábia e preventiva.
A tua saúde cerebral é o teu maior ativo. Investe nela com consciência.
Referências Científicas:
The Journal of Headache and Pain, Março 2024
Neurology, 2018
Tfelt-Hansen P, et al. "Pathophysiology of medication overuse headache." Lancet Neurology, 2010
Bigal ME, Lipton RB. "Clinical course in migraine: conceptualizing migraine transformation." Neurology, 2008