17/11/2025
Quando falamos em chance real de cura no câncer de pâncreas, a cirurgia assume um papel central. A duodenopancreatectomia (DPT) é o procedimento capaz de remover tumores localizados na cabeça do pâncreas e também no duodeno, oferecendo uma possibilidade concreta de controle definitivo da doença. Sem a cirurgia, a evolução costuma ser rápida: a maioria dos pacientes vive entre poucos meses e cerca de um ano. Já aqueles que podem ser operados frequentemente alcançam sobrevidas de dois anos ou mais, algo que nenhum outro tratamento isolado costuma proporcionar.
Essa cirurgia, que hoje faz parte da rotina dos grandes serviços de cirurgia digestiva, nasceu em um cenário completamente diferente. As primeiras tentativas datam do começo do século XX e ganharam forma com as contribuições de Allen Whipple na década de 1930. Naquela época, a mortalidade era tão alta que muitos cirurgiões evitavam o procedimento. Nos anos 1970, cerca de 25% dos pacientes não sobrevivia. Com o tempo, técnica, anestesia, UTI e experiência transformaram a DPT em um procedimento seguro, com mortalidade atual abaixo de 5% nos centros especializados.
O grande desafio está no diagnóstico. Os tumores da cabeça do pâncreas demoram a dar sinais e, quando aparecem, não são específicos: icterícia, dor abdominal vaga, perda de peso ou digestão difícil. Essa semelhança com outras doenças faz com que muitos casos só sejam detectados quando a cirurgia já não é mais possível. Por isso a persistência dos sintomas é tão relevante: mudanças pequenas, mas contínuas, merecem investigação para que a oportunidade de tratamento não seja perdida.