01/01/2026
Muitos pacientes com câncer buscam a cannabis medicinal na esperança de aliviar sintomas como dor, ansiedade e desconforto 🌿. Apesar do uso crescente, ainda existem poucas evidências científicas de alta qualidade que comprovem sua eficácia nos cuidados paliativos.
Um estudo avaliou se um óleo de cannabis medicinal contendo tetraidrocanabinol (THC) e canabidiol (CBD) na proporção 1:1 poderia reduzir a carga total de sintomas em pacientes com câncer avançado, em comparação aos cuidados paliativos isolados.
Trata-se de um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, realizado em múltiplos centros 🧪. Participaram 144 pacientes em cuidados paliativos, que receberam óleo de cannabis medicinal ou placebo por até 28 dias, com ajuste de dose conforme tolerância e percepção de benefício.
🧠 Principais resultados
O sofrimento sintomático global melhorou em ambos os grupos, mas não houve diferença significativa entre cannabis medicinal e placebo no alívio geral dos sintomas no dia 14.
Por outro lado, o grupo que recebeu cannabis apresentou melhora significativa da dor nos dias 14 e 28 🎯. No entanto, esse benefício ocorreu à custa de maior toxicidade, incluindo confusão mental, sensação de “estar chapado” e alterações na percepção de bem-estar. Curiosamente, a melhora do bem-estar geral foi maior no grupo placebo.
⚠️ O que isso significa na prática?
O óleo de cannabis (THC:CBD 1:1) não foi superior aos cuidados paliativos isolados para o controle global dos sintomas em pacientes com câncer avançado. O discreto benefício no controle da dor veio acompanhado de efeitos adversos relevantes.
💡 Conclusão
A melhora observada em ambos os grupos pode refletir a eficácia de cuidados paliativos bem estruturados ou o impacto do efeito placebo. Os achados reforçam a importância de decisões compartilhadas baseadas em evidências entre pacientes e profissionais de saúde 🤝.
Hardy, Janet R et al. “Medicinal cannabis for symptom control in advanced cancer: a double-blind, placebo-controlled, randomised clinical trial of 1:1 tetrahydrocannabinol and cannabidiol.” Supportive Care in Cancer vol. 33,8 (2025): 715. doi:10.1007/s00520-025-09763-5