21/03/2026
Hoje, no Dia Internacional da Síndrome de Down, eu paro e penso em cada criança que já passou pelas minhas mãos.
Como médico que cuida de crianças cardiopatas, convivo intimamente com muitas delas. E posso dizer, com toda sinceridade e amor profundo: elas têm algo diferente.
Jesus disse:
“Deixai vir a mim as crianças e não as impeçais…” (Marcos 10,14)
Cuidar dessas crianças é mais do que exercer a medicina. É um encontro diário com o amor na sua forma mais pura.
Muitas já começam a vida enfrentando grandes desafios, especialmente pelas cardiopatias congênitas. Mas, mesmo assim, carregam uma leveza, uma doçura e uma capacidade de amar que dar mais sentido a vida.
Elas não apenas recebem cuidado. Elas nos transformam pela caridade.
Ao longo da minha caminhada, aprendi que nosso papel vai além de tratar doenças. É acolher, respeitar, proteger e lutar para que essas crianças tenham dignidade e respeito.
O que mais dói, muitas vezes, não está na cardiopatia. Está fora dela; nas dificuldades de acesso, na falta de apoio, na ausência de políticas que garantam o desenvolvimento e a inclusão dessas crianças.
Hoje, meu sentimento é de respeito profundo.
E também de responsabilidade.
Porque cuidar delas é, acima de tudo, um privilégio e uma missão.