10/03/2026
Os wearables são dispositivos vestíveis capazes de monitorar continuamente parâmetros fisiológicos por meio de sensores digitais integrados. Exemplos incluem smartwatches, anéis inteligentes, patches cardíacos e faixas torácicas, que utilizam tecnologias como fotopletismografia (PPG), eletrocardiografia de uma derivação, acelerômetros e sensores ópticos de oxigenação. Esses dispositivos conseguem registrar dados como frequência cardíaca, variabilidade da frequência cardíaca, atividade física, gasto energético, padrões de sono e saturação de oxigênio.
Nos últimos anos, os wearables passaram a desempenhar papel crescente na medicina digital e no monitoramento remoto de pacientes, especialmente na cardiologia preventiva. Estudos publicados em periódicos de alto impacto, como New England Journal of Medicine, JAMA, Circulation e Journal of the ACC, demonstram que esses dispositivos podem identificar precocemente alterações fisiológicas relevantes.
Uma das aplicações mais estudadas é a detecção de fibrilação atrial (FA). O Apple Heart Study, que incluiu mais de 400 mil participantes, mostrou que notificações de irregularidade de pulso detectadas por smartwatch podem identificar indivíduos com possível FA em larga escala populacional. No entanto, as diretrizes da AHA e da ESC ressaltam que o diagnóstico definitivo ainda exige confirmação por eletrocardiograma.
Além da triagem de arritmias, os wearables têm sido utilizados para monitorar atividade física, avaliar adesão a programas de exercício, acompanhar padrões de sono e apoiar programas de reabilitação cardiovascular. Em pacientes com insuficiência cardíaca ou doenças crônicas, a monitorização contínua pode contribuir para identificar precocemente sinais de descompensação.
Entretanto, esses dispositivos apresentam limitações. A precisão pode ser influenciada por movimento, perfusão periférica reduzida, artefatos de sinal e diferenças entre algoritmos proprietários. Assim, sociedades médicas enfatizam que wearables devem ser considerados ferramentas de triagem e monitoramento, e não substitutos da avaliação clínica tradicional.
Dr. Cesimar S. do Nascimento, Cardiologista, CREMERN 2050, RQE 629.