31/12/2025
Desacelerar é ter a ousadia de ir na contramão. É escolher ouvir o próprio corpo quando ele pede pausa, mesmo quando o mundo insiste em cobrança. É sustentar o silêncio interno em meio ao barulho externo, aceitar limites, reconhecer cansaços e admitir que nem tudo precisa ser feito agora, ou do jeito que os outros esperam.
Há coragem em olhar para si sem anestesia. Quando desaceleramos, não há distrações suficientes para fugir das perguntas difíceis, das emoções acumuladas e das partes de nós que foram negligenciadas. A pausa nos coloca frente a frente com quem somos de verdade, e isso pode assustar. Ainda assim, é nesse espaço que acontece o real crescimento.
Desacelerar também é um ato de responsabilidade consigo mesmo. É compreender que saúde emocional, mental e física não se constroem na exaustão. Que continuar funcionando no automático pode até manter a aparência de controle, mas cobra um preço alto no longo prazo. Coragem é interromper ciclos adoecidos, mesmo quando eles parecem “dar certo” aos olhos de fora.
Ao desacelerar, aprendemos que não estamos atrasados, estamos vivos. Que a vida não é uma corrida, mas um percurso que precisa ser sentido. E que, muitas vezes, avançar de verdade só é possível depois de parar.
Desacelerar não é desistir dos sonhos. É honrá-los com presença, consciência e inteireza. É escolher continuar, mas sem se perder de si. E isso, definitivamente, é coragem.