12/08/2025
Recebo muitos pacientes preocupados com exames (de imagem ou laboratoriais) que sugerem esteatose hepática (a gordura no fígado) e me perguntam se há tratamentos específicos.
👉Em primeiro lugar, é importante frisar que a esteatose aumenta de fato o risco de vários doenças, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, e até mesmo cirrose e câncer de fígado. Porém nem todas as esteatoses são iguais: há pessoas que tem gordura e inflamação no fígado (a esteatohepatite), ou mesmo fibrose e essas condições aumentam muito mais os riscos. Portanto, saber o grau de envolvimento do seu fígado é importante para entender seus riscos e também os tratamentos. Também é importante saber se o álcool tem influência. Nesse caso, focar em reduzir consumo é fundamental.
👉Porém, embora muitos estudos sendo publicados com novas medicações para casos mais graves, com resultados muito bons, hoje a melhor forma de tratá-la é perdendo muito peso! E mesmo alguns medicamentos em estudo tem parte de sua ação no emagrecimento, como os análogos de GLP-1 e bi ou triagonistas.
👉Estudos com cirurgia bariátrica mostram os melhores resultados, mas isso devido ao fato de a perda de peso ser bem maior! Mas há estudos que mostram que perder mais de 10% do peso é extremamente efetivo em reduzir os aspectos mais perigosos da esteatose. Há exceções, como a pioglotazona, remédio mais antigo, que até leva a ganho de peso (mas uma gordura mais “benigna”, e algumas medicações que não temos por aqui, como o resmetiron.
👉Mas por ora, eu prefiro sempre a forma da perda de peso! A grande questão é que emagrecer não é fácil é deve ser vista como tratamento e não como orientação!
Ref: Glass, Total body weight loss of 10% is associated with improved hepatic fibrosis in NASH. Dig Dis Sci 2014