30/01/2021
Você vai tomar banho e lavar o cabelo. Bom, pra lavar e tirar a sujeira você irá usar um xampu. Depois, para desembaraçar os fios, facilitar a escovação e deixar o cabelo mais macio, vai usar um condicionador.
Só que aí, você tem um tipo de cabelo específico, que pode ser: crespo, liso, ondulado, cacheado, tingido, descolorido, platinado, curto, longo e por aí vai...
Então, atrás daquele seu condicionador esperto, tem lá a indicação de que para obter melhores resultados, você deve usar a máscara de hidratação (da mesma marca). Depois de aplicar a máscara, acabou o banho né?
Não, ainda falta o leave-in, que é só para as pontas e tem como objetivo dar uma "alinhada" no cabelo. Além dele, você também pode usar um finalizador, só que aí vai depender do que você quer no dia. Se você quer um finalizador para preparar seu cabelo para a exposição solar, se você quer reduzir frizz, se você quer ativar os cachos ou se você quer selar as pontas.
E é claro, que para cada objetivo, um produto.
A esse ciclo infinito, chamamos Ciclo da interdependência cosmética.
Ah, você deve estar pensando...essa natureba, vem aqui ditar regra no meu cabelo!
Calma, a minha conversa aqui não é sobre parar de usar tudo isso! É sobre repensar se realmente precisamos de todos esses processos e se sim, quais deles podemos fazer optando por produtos que sejam menos impactantes, residuais e criadores de padrões estéticos.
Talvez, todo o processo para chegar na aparência que te agrada não seja possível sem usar aquele creme X da marca Y. Mas, o que será que aquela marca coloca como padrão estético? Será que ela alimenta padrões estéticos de como deve ser nosso corpo? Por exemplo: a textura da sua pele, a aparência do seu rosto ou até da sua axila...
Talvez...questionar, pesquisar e sair do consumo passivo e consequentemente desse ciclo de interdependência construído, possa ser um caminho para encontrar possibilidades que nos deixem satisfeitas com nossa aparência, mas também com nosso posicionamento enquanto seres humanos.