07/12/2025
O feminicídio revela o ponto mais sombrio da liberdade humana: o instante em que alguém escolhe negar, pela violência, a existência do outro. Mas não há destino que justifique essa tragédia; há escolhas, escolhas que nascem de uma má-fé coletiva, de uma sociedade que ainda insiste em ver a mulher como objeto, função ou extensão de alguém.
Toda violência começa quando transformamos o outro em coisa. E o feminicídio é isso: a negação radical da alteridade, o colapso de toda ética, o fracasso de nossa responsabilidade por “guardar” a liberdade do outro enquanto exercemos a nossa.
Cada mulher morta é um lembrete brutal de que não estamos diante de um problema individual, mas de um projeto social adoecido. É a soma das tolerâncias, das piadas, do silenciamento, da romantização do controle, das desculpas dadas ao agressor, da normalização do medo. Nada disso é destino e sim de construção.
Uma provocação é voltar o olhar para o que fazemos, permitimos e perpetuamos. A liberdade exige coragem, mas a convivência exige respeito. E só haverá mundo mais humano quando a existência da mulher não for uma concessão, mas um fato sagrado e inegociável.
Feminicídio não é “fatalidade”.
É escolha e, por isso mesmo, é uma responsabilidade que todos compartilhamos: a responsabilidade de impedir, denunciar, educar, transformar e romper os padrões que sustentam essa violência.
Que hoje não seja apenas um dia de luto, mas de consciência existencial: não podemos ser livres enquanto a liberdade de existir das mulheres ainda é negada.
Com carinho!
Psicóloga
Dilce Monteiro