13/01/2026
Hoje faz um ano que me formei. Não exatamente um ano desde que me tornei psicólogo, mas um ano desde que recebi o diploma que me concedeu o direito de exercer a profissão que sempre sonhei. Há pelo menos três anos atendo, desde o estágio não obrigatório, mas interessantemente sigo me tornando psicólogo a cada sessão, a cada encontro com relatos que falam da falta e também do excesso, e que, no fim das contas, continuam falando de falta. Depois de formado, tive muitos medos, e não que eles tenham desaparecido. Durante a graduação, ouvi repetidas vezes que a Psicologia não dava dinheiro, que o retorno só viria depois de cinco anos de formado, mas não foi o que aconteceu. Em um ano, a faculdade se pagou. Lotei minha agenda e descobri que lotá-la não é mais um objetivo. Em um ano, consegui oferecer à minha mãe o último conforto de que ela precisava nos cuidados paliativos, com o meu trabalho, e pude estar ao seu lado em seus últimos momentos de vida. Em um ano, compreendi que, além de terapeuta, também sou paciente, humano, falho, bem-intencionado, vulnerável e, surpreendentemente, forte. Em um ano, percebi que não somos uma profissão tão desunida quanto às vezes imaginamos, e a família .psi está aí para provar isso. Foi um ano que pareceu dez e, ao mesmo tempo, parece que foi ontem. Onde estaremos daqui a um ano? Como ouvi de uma paciente certa vez: “Gosto dos nossos encontros, tenho uma estranha sensação de que nos encontramos toda vez.”Por isso, meu obrigado a todos que já encontrei, aos que continuo encontrando e aos que, certamente, ainda encontrarei.
sejaoamordasuavida