28/03/2026
Essa é uma das dúvidas mais importantes na prática clínica e que precisa ser esclarecida com responsabilidade e base científ**a.
A hemodiálise não é iniciada apenas com base num número isolado de um exame laboratorial. Ela é indicada quando há comprometimento signif**ativo da função renal associado a sinais clínicos e laboratoriais que colocam a saúde do paciente em risco.
A principal indicação ocorre na Doença Renal Crônica em estágio avançado (estágio 5), quando a taxa de filtração glomerular (TFG) está abaixo de 15 mL/min/1,73m², especialmente quando surgem sintomas ou complicações importantes. No entanto, além desse número, os critérios clínicos também são importantes.
A literatura médica e as diretrizes como o KDIGO orientam que a hemodiálise deve ser considerada quando o paciente apresenta:
▪️Sintomas urêmicos, como fadiga intensa, náuseas, vômitos, perda de apetite, confusão mental;
▪️Sobrecarga de líquidos, levando a inchaço importante ou falta de ar (edema pulmonar);
▪️Hipercalemia (potássio elevado), com risco de arritmias cardíacas;
▪️Acidose metabólica, que não responde ao tratamento clínico;
▪️Pericardite urêmica, uma complicação grave relacionada ao acúmulo de toxinas.
Além da doença crônica, a hemodiálise também pode ser indicada em casos de insuficiência renal aguda, quando há risco iminente à vida ou falha das medidas clínicas.
É importante destacar que, sempre que possível, o início da terapia dialítica é planejado, permitindo preparo adequado do paciente, como a confecção de um acesso vascular (fístula arteriovenosa), o que melhora a segurança e os resultados do tratamento.
Portanto, a decisão de iniciar hemodiálise é individualizada, baseada em critérios clínicos e laboratoriais, e deve ser conduzida pelo médico nefrologista. O objetivo não é apenas substituir a função dos rins, é preservar a vida com qualidade e segurança.
Dr. Rui Alberto Gomes | Nefrologista
CRM 62.826 | RQE 16.983