25/03/2026
IA virou uma espécie de “segunda mão” para muita gente:
escreve melhor, estrutura melhor, acelera processos.
E eu não estou discutindo se isso é bom ou ruim! Estou olhando para um detalhe que muda a qualidade da liderança: posição.
Porque uma parte do trabalho do líder não é produzir.
É sustentar conversa quando ela é desconfortável. É dizer “não” com responsabilidade. É dar feedback sem se esconder. É nomear um conflito sem transformar isso num ataque.
E é justamente nesses pontos que a IA costuma entrar como um atalho elegante.
Você pensa: “vou só pedir para ela organizar…”.
Mas, às vezes, o que está acontecendo é outra coisa: você está colocando uma camada entre você e a situação.
Aqui um exemplo que vejo bastante:
Você precisa dar um feedback que vai gerar tensão. A IA te devolve um texto impecável. Só que, quando você envia, você também envia um pedaço de distância.... E eu não estou romantizando, hein!
Porque o texto não carrega só palavras.
Ele carrega o quanto você está assumindo o que está dizendo.
Em outros casos, o efeito é mais sutil:
Você responde algo difícil de forma tão polida e tão neutra que ninguém sabe onde você está. A mensagem termina e a relação não avança…
E isso vai acumulando um tipo específico de desgaste: não o desgaste do volume de trabalho, mas o desgaste de convivência onde tudo vira “correto” e pouco é verdadeiro ou com real conexão.
Por isso, como eu já comentei no conteúdo anterior, eu costumo pensar em perguntas importantes que vão me dar uma direção: eu estou usando a IA como ferramenta ou como muleta?
E o que eu aprendi é que, quando vira muleta, dá para perceber rápido!
(Não no texto, mas na relação)
Você começa a notar três efeitos:
IA pode ajudar muito a reduzir carga e organizar pensamento.
Quero ler a sua experiência, como liderança: em que tipo de situação a IA te ajuda de verdade e em qual ela começa a virar muleta?