27/01/2026
O Pinguim, Saturno e a Coragem (ou a Confusão) de Marchar Sozinho
Há quase duas décadas, uma cena do documentário Encounters at the End of the World, de Werner Herzog, voltou a circular nas redes. Um pinguim-Adélie abandona sua colônia, ignora o caminho seguro rumo ao mar, onde há alimento e sobrevivência, e segue sozinho para o interior congelado da Antártida, em um percurso sem retorno.
Herzog chamou de “marcha da morte”. A internet o apelidou de Pinguim Niilista. Mas… e se ele estivesse apenas desorientado?
Biólogos levantam essa hipótese: falha de orientação, exaustão, doença, confusão neurológica. Não um ato consciente, mas um perder-se. E talvez seja justamente aí que o símbolo fique ainda mais potente.
Porque nem todo desvio começa como coragem. Alguns começam como confusão.
Esse arquétipo ambíguo — entre lucidez e desorientação — se reflete no céu.
No dia 20/02, Saturno em Áries se aproxima da conjunção com Netuno em Áries no grau zero, um ponto inaugural, cru, sem mapas. Um território onde ainda não sabemos se estamos sendo pioneiros… ou apenas perdidos.
Saturno aqui é responsabilidade radical. Netuno em Áries é espiritualidade, mas também névoa mental, perda de direção, dissolução das certezas do ego.
Essa conjunção fala do peso de existir quando as estruturas antigas já não sustentam, mas as novas ainda não nasceram. De assumir responsabilidades em meio à incerteza. De caminhar sem saber se é chamado da alma ou sinal de esgotamento.
Por isso essa imagem nos atravessa tanto. Ela não fala só de coragem — fala de burnout, colapso de sentido e confusão existencial.
Nem sempre saímos da rota porque somos fortes. Às vezes saímos porque não conseguimos mais continuar do mesmo jeito.
Nem todo desvio é fuga. Nem todo começo nasce da clareza. Alguns começam da confusão. E ainda assim… são começos.
Como o pinguim. De costas para o grupo. De frente para o desconhecido.
Andrea Vargas
Allquimistica