04/09/2025
No fim da tarde, quando o sol se recolhe ao ventre da terra, nós nos sentamos diante da chama. As labaredas não são apenas fogo, são espíritos dançantes, são mensageiros de um tempo sem tempo. Cada estalo da lenha é voz dos ancestrais. Cada clarão é olhar dos deuses que recorda sua presença. No princípio, o Fogo veio do céu como raio. Centelha roubada das estrelas, coração ardente da criação.
Ao redor dele, o povo primordial se reuniu.
E a noite foi domada.E o invisível foi escutado.
Ali nasceram os mitos.Ali a alma encontrou sua primeira morada. Mas o Fogo não é só memória,
é chama que transforma,é madeira que se faz luz, é dor que se torna sentido,
é sombra que se abre em claridade. Por isso, quem repousa diante dele não repousa apenas, entra na roda eterna, toca a eternidade que dança nas chamas, reencontra-se com o Mistério Sagrado. E assim foi dito e será sempre dito, enquanto houver chama acesa, haverá lembrança. Enquanto o homem se sentar diante dela, jamais estará só. Pois no círculo da fogueira ardem deuses e ancestrais, vivos e mortos, todos unidos no sacramento do fogo, que é coração da noite, centro do mundo, portal entre o que se vê e o que não se vê.
Jung diria que o fogo é arquétipo da energia vital, manifestação do Self que aquece e guia. Na sua dança vermelha, ele nos ensina a arte de integrar, o claro e o escuro, o consciente e o inconsciente, o humano e o divino.
Assim é e assim seja! 🙏🦋🌹