14/11/2025
Eu já te vi tantas vezes aqui…
Te vi chegar com os olhos brilhando, carregando malas e sonhos na mesma mão.
Te vi andando apressada de um lado pro outro, coração disparado, vibrando de expectativa por algo que nem você sabia explicar… só sentir.
E, sim…
também te vi desabar.
Sentada em alguma cadeira esquecida, olhando pro nada com os ombros pesando o mundo, como se o mundo todo estivesse prestes a partir – menos você.
Ah, se eu pudesse te abraçar.
Mas tudo o que consegui foi te oferecer uma mesa de bar com uma bebida qualquer, só pra ver se o álcool anestesiava por uns segundos aquilo que te consumia por dentro.
Te vi deslizando em cima de um carrinho de bagagem, rindo como criança.
E te vi apenas sentada nele, sem força nem pra levantar, com os olhos tentando fugir do que viria depois da porta de desembarque.
Te vi dar beijos mais verdadeiros do que imagino existir em muitos altares por aí.
E vi abraços que te dilaceraram. Eu vi. Eu senti. Cada um deles levava um pedaço de você.
E cada vez que você volta – como agora – eu reconheço esse seu caminhar diferente.
Você finge que está inteira, mas eu sei.
Sei que algo ficou pra trás.
Um amor, uma certeza, um plano, uma parte sua.
Mas mesmo com as partes que te restam, você segue.
Arrastando malas, memórias e coragem pelos meus corredores.
Às vezes com rumo.
Às vezes não.
Mas sempre em frente.
E confesso…
já senti uma pontinha de inveja dos teus sonhos tão vivos e do teu sorriso sempre tão largo.
Mas confesso também: teve dias em que eu não queria estar na tua pele.
Você...
carrega esperanças como quem carrega o próprio corpo: com esforço, com fé, com medo, mas sem jamais parar.
E é por isso que eu te espero.
Porque, mesmo em silêncio, eu sei quem você é…
em cada chegada,
em cada partida,
em cada recomeço.
Com carinho,
Aeroporto Internacional de Guarulhos.