05/02/2024
Já conheci a minha avó paterna sem um das mamas. Na verdade, nunca vi sua cicatriz, apenas sabia que em seu busto, um dos seios não existia.
Cresci sabendo que ela teve que fazer uma mastectomia, meio sem entender o motivo, até porque esse não era um assunto para criança. Na verdade, mesmo entre adultos, as conversas sobre “aquela doença” não eram bem-vindas.
Só após estar na residência de ginecologia, que já entrei para que pudesse fazer a de mastologia, um novo caso de câncer de mama surgiu na família. Dessa vez em uma prima, aos 40 anos. Daquela época para cá, mais 3 tias e 2 primas foram diagnosticadas. Descobrimos uma mutação familiar em BRCA, que tive a benção de não ter herdado.
O câncer de mama faz parte de minha vida há bastante tempo. Tempo suficiente para desejar, do fundo do coração, reduzir essa quantidade de diagnósticos no mundo todo. Não pode ser apenas sobre as mamas! Oro para que a próxima geração de mastologistas entenda isso. Enquanto isso, sigo achando que ainda sei muito pouco. Que preciso aprender mais, ajudar mais.
Sigo pedindo a Deus que use minhas mãos e minhas palavras como se Suas fossem. Sou mastologista por que Ele quis, simples assim.