07/02/2026
A notícia chegou do jeito que ninguém gosta: rápida, seca, sem aviso.
Chegou numa sexta-feira. E isso muda tudo. A vida tem dessas crueldades silenciosas.
“Sexta-feira, mei-dia, quem fez, fez…”
Henrique Maderite morreu jovem. De repente. Como se o tempo tivesse decidido encurtar o próprio caminho. Isso incomoda.
Ele era aquele sujeito que organizava a semana de milhões de pessoas com uma frase simples mas que não era só um bordão. Era um combinado coletivo. Um alívio compartilhado. Um sorriso automático.
Eu sei que tem gente que lê isso e pensa que é exagero, mas não é. Eu aprendi isso do jeito menos poético possível e, provavelmente por isso, me identifiquei tanto com alguém que nunca conheci pessoalmente. Foi também numa sexta-feira que estive perto demais do fim. Nesse dia eu fiquei. E poderia não ter f**ado. Henrique não ficou.
Depois disso, TUDO muda. O tempo deixa de ser garantido e passa a ser presente, no sentido mais literal da palavra. A sensação clara de que estar vivo é algo muito menos sólido do que a gente imagina. Para perceber que o amanhã não é um direito adquirido. Para aprender que continuar aqui é algo que não se explica, apenas se agradece.
A vida é um sopro. Não como frase bonita. Como constatação. Talvez por isso o bordão dele nunca tenha sido só brincadeira. “Quem fez, fez” carrega uma verdade dura e silenciosa: nem todo mundo faz depois. Nem todo mundo alcança a próxima sexta. Nem todo mundo tem tempo para adiar. Eu fiquei pra fazer. Ele não. E isso não é mérito, nem escolha, nem justiça. É mistério. É acaso. É a vida passando e escolhendo caminhos diferentes.
Então, quando chegar a próxima “sexta-feira, mei-dia” e alguém disser “sextou, bebê”, que isso não seja só brincadeira. Que seja aviso. Que seja gratidão. Que seja um lembrete delicado de que estar aqui é raro e
precioso. Que seja coragem de viver agora.
Porque quem fez, fez. E quem ainda pode, que faça.
Porque a vida é estrada. E a gente nunca sabe onde desce.