31/03/2026
Nem toda complicação perioperatória é imprevisível.
Algumas são apenas não reconhecidas a tempo.
A Síndrome de Ativação Mastocitária (MCAS) é uma delas.
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Mastócitos hiperreativos liberam mediadores como histamina, triptase e prostaglandinas de forma desregulada.
O resultado?
• instabilidade hemodinâmica
• broncoespasmo
• reações anafilactoides
• dor desproporcional
• recuperação imprevisível
E, muitas vezes, isso acontece em pacientes “sem diagnóstico”.
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O problema não é a ausência de exame.
É a ausência de suspeita.
MCAS é, antes de tudo, um diagnóstico clínico.
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Quando pensar nisso?
• “alergias múltiplas” ou reações a diferentes fármacos
• flushing, prurido, urticária sem causa clara
• sintomas gastrointestinais recorrentes
• piora com estresse, calor ou medicamentos
• sintomas flutuantes e multissistêmicos
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E os exames?
Eles não fecham diagnóstico.
Mas contam uma história (para quem sabe ler):
• eosinófilos em limite alto
• marcadores inflamatórios/coagulantes discretamente elevados (ex: fibrinogênio, dímero-D)
• associação com doenças autoimunes (ex: anti-TPO elevado)
Com frequência: PCR normal.
👉 O padrão é sutil.
👉 O erro é esperar alterações grosseiras.
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⚠️ Por que isso importa na prática?
Porque o gatilho pode ser a própria cirurgia:
• anestésicos
• opioides
• antibióticos
• contraste
• estresse cirúrgico
E o que era “um paciente estável”…
vira uma resposta imprevisível.
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🎯 O que muda quando você reconhece?
- pré-medicação adequada (anti-histamínicos, estabilizadores mastocitários iniciando 7 dias antes da cirurgia)
- suplementação estratégica com Vit C, Quercetina, NAC
- escolha mais criteriosa de fármacos no perioperatorio
- planejamento anestésico apropriado
- redução de complicações
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No fim, é simples:
Você não trata mastócitos.
Você trata a capacidade do organismo de responder ao estresse cirúrgico.
Tudo isso antes da indução anestésica.