16/12/2014
Por que as crianças com até 2 ou 3 anos mordem?
Introdução
Morder pode fazer parte de uma fase de desenvolvimento, é uma forma de expressão e deve ser uma fase passageira! É mais do que uma reação de raiva, são formas de comunicação e expressão de sentimento. Mas, o fato das mordidas fazerem parte de uma fase de desenvolvimento infantil não significa que devem ser ignoradas ou aceitas.
Fundamenta Teórica - Fase oral e Fase Sensório-Motora, ou Inteligência Prática
A fase oral, descrita por Freud, fase sensório-motora, descrita por Piaget, é uma etapa do desenvolvimento que vai do nascimento até por volta de dois anos onde as necessidades, percepções e modo de expressão da criança estão concentradas na boca e nas ações. Como tem urgência em resolver a questão, reage com a parte do corpo que tem mais coordenação, que é a boca, região que usa intensamente desde o nascimento. Nessa fase em que ainda não têm o domínio da fala, as manifestações corporais são usadas para demonstrar descontentamento, alegria, descobertas. Como ainda não sabem falar com desenvoltura, a ação da criança utiliza de outros meios para se expressar, se comunicar. A mordida é uma das formas de expressão que lhe parece mais fácil.
Winnicott definiu o conceito de agressividade (instintiva) nos bebês, que é egocêntrico e acredita que o mundo funciona e existe por sua causa, afirmando que, o surgimento da agressividade durante o exercício da alimentação possibilita uma primeira conciliação entre a capacidade de destruição e a capacidade de proteção daquilo que ama. Sendo assim, a agressividade se manifesta durante a alimentação e se recolhe quando o bebê sente-se saciado. É importante reconhecer que desde essas primeiras experiências a criança luta para exercer um “controle” sobre seu próprio comportamento, procurando tanto sua satisfação pessoal quanto evitar a destruição da fonte de sua saciação. Assim, é comum vermos crianças dando mordidas ao primeiro sinal de estresse, ou descontentamento, quando o que deseja não for atendido, ou, prontamente atendido.
Intervenção Psicopedagógica
Portanto, é importante a mediação de um adulto, para fazer com que ela reflita sobre o que fez e para que entenda que há outras maneiras de conseguir o que deseja. O adulto deve mostrar à criança que há outros meios de expressar-se ou de conseguir o que se quer. Pode-se dizer, por exemplo: ‘se você não gostou do que ele fez, vamos dizer isso a ele’, ou ‘você quer o brinquedo? Então vamos pedir o brinquedo!’
É importante conter esse comportamento sempre, impedindo que ele morda, pontuando para a criança que isso machuca, e falar que ‘não pode’ calmamente, mas com firmeza. A criança precisa aprender outras formas de comunicação e deixa as mordidas de lado. Se isso não acontecer por volta dos 3 anos, é melhor ficar atento. O papel do adulto é transformar a atitude corporal em uma atitude mediada pela linguagem. Esse é um grande objetivo da educação, tanto na escola quanto em casa. Quando esse ensinamento não é dado logo cedo, as crianças crescem e mantém as atitudes corporais para conseguir o que querem. É o que se vê quando crianças mais velhas se atiram no chão e fazem escândalo quando são contrariadas. A mordida é sempre uma situação difícil para os pais de ambas as crianças. Os pais da criança mordedora sentem-se envergonhados e os pais da criança mordida ficam chateados pelo machucado do filho. Devemos mediar as relações entre as crianças e seus familiares para minimizar os sentimentos negativos e criar situações para estabelecer limites, mostrando a importância do respeito e do tratar bem o amigo que ficou triste por ter sido machucado. A criança mordida deve ser acolhida e incentivada a expressar seu descontentamento, porém nunca deve ser incentivada a revidar, ou seja, a morder também.
ALERTA - A mordida pode ser um sinal de que a criança está passando por dificuldades de ordem afetiva! Apesar de, na maioria das vezes, a mordida fazer parte do desenvolvimento natural da criança, em alguns casos isolados este comportamento pode sinalizar um problema de ordem emocional. Toda criança pode se alterar momentaneamente, por exemplo, numa brincadeira. Mas mordidas demais sinalizam agressividade sem controle. Se estas mordidas passam a ser frequentes, a criança pode estar insatisfeita, ansiosa ou tentar chamar a atenção através da agressividade. Quando isso acontece, é preciso acompanhar de perto e com atenção para descobrir as possíveis causas e dependendo do caso, é importante buscar a ajuda profissional.
Atenciosamente, Joseine Andrade.