06/02/2026
“Primeiro, não causar mais danos.” No paciente com trauma craniano, esse princípio se aplica tanto ao cérebro quanto aos pulmões. Mas e se a proteção de um significasse agredir o outro?
Ventilar um paciente com lesão cerebral aguda (LCA) é um dos maiores desafios na UTI. Não estamos tratando apenas um órgão, mas sim um complexo e delicado sistema interligado.
O “crosstalk” cérebro-pulmão significa que nossas estratégias ventilatórias podem ser tanto o remédio quanto o veneno.
Cada parâmetro que ajustamos no ventilador mecânico - PEEP, volume corrente, frequência respiratória — tem um impacto direto e, por vezes, contraditório na pressão intracraniana (PIC) e na perfusão cerebral.
🤯 O dilema é real: uma manobra para proteger o pulmão pode agravar a lesão neurológica. A hipercapnia permissiva, benéfica na SDRA, pode ser catastrófica para um cérebro com baixa complacência. A hipocapnia para “baixar a PIC” pode causar isquemia.
Este carrossel, baseado no artigo de revisão de Al Sharie et al. (2025), detalha essa interação complexa. O objetivo não é dar respostas fáceis, mas sim aprofundar o raciocínio fisiológico para uma tomada de decisão mais segura e individualizada à beira-leito.
O manejo ventilatório moderno exige mais do que seguir protocolos; exige um profundo entendimento da fisiologia individualizada.
Já salvou para consultar no próximo plantão?
Referência Principal: Al Sharie S, et al. Bridging brain and lung: optimizing mechanical ventilation in acute brain injury. J Anesth Analg Crit Care (2025).