24/02/2026
"Na psicanálise, a vida adulta raramente é esse território racional, organizado e maduro que a gente imagina. O adulto que decide, escolhe, ama, se submete, insiste ou foge… quase sempre responde a algo muito antigo.
A cena deixa isso claro: o fio que liga os dois não é externo — é psíquico.
O adulto anda cabisbaixo, cansado, carregando o peso do mundo.
A criança olha para cima, com expectativa, medo, necessidade.
E esse olhar infantil é o que, muitas vezes, governa as decisões mais importantes da vida adulta.
Não escolhemos relações apenas por afinidade.
Escolhemos para reparar.
Para consertar algo que nunca foi consertado.
Para finalmente sermos vistos, acolhidos, protegidos.
A criança chora não porque é fraca.
Ela chora porque ainda espera.
Espera que, dessa vez, alguém fique.
Que dessa vez não abandone.
Que dessa vez o amor não doa.
E o adulto, mesmo achando que está no controle, anda guiado por esse choro silencioso.
É por isso que tanta gente permanece em vínculos ruins.
É por isso que tanta gente confunde intensidade com amor.
É por isso que tanta gente suporta o insuportável.
A vida adulta é menos adulta do que parece porque ela é atravessada por restos emocionais não elaborados.
Por necessidades infantis que nunca foram legitimadas.
Por dores que foram engolidas cedo demais.
Crescer não é matar essa criança.
É finalmente escutá-la sem deixar que ela dirija sozinha.
Quando isso não acontece, o adulto vive cansado, perdido, repetindo padrões — enquanto a criança interna continua puxando sua mão, pedindo aquilo que um dia faltou.
E enquanto isso não for visto…
o passado continua decidindo o presente."
.psic
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