16/02/2026
Atrás do Trio Elétrico
Por Giselle Moraes
“Preciso de você
Sentir o teu calor
E a tua companhia
Quando você chegar
Eu quero te mostrar
A minha alegria
Aí meu coração
Vai poder sossegar”
E aquele quentinho no coração nas lembranças de tantas micaretas…
O primeiro bloco a gente nunca esquece. E o cantor Netinho faz parte dessa história. Ele entra na avenida arrastando a multidão, transformando o som do mar na energia pulsante do trio elétrico.
Como diz Caetano Veloso: “atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu…”. Frase que deveria constar na lista de experiências obrigatórias de todo ser vivente. É uma emoção que não cabe no peito, uma alegria que faz a gente pular feito pipoca literalmente. Se você nunca foi, precisa ir. Pelo menos uma vez, sentir o calor do carnaval dos baianos, que se espalha para todo o Brasil.
Aqueles pontinhos pulando dentro da corda formam um repertório intenso de sensações. Tudo f**a diferente. Em um transe quase energético, nos entregamos ao ritmo do axé. O corpo parece conhecer todos os passos, e a cabeça simplesmente segue a multidão.
Volto então à década de 90, quando iniciei meu caso de amor com o trio elétrico. Foram muitos anos de blocos, abadás, lança-perfume, beijo na boca, água de coco e Super-copo que eu diria ser a versão retrô do atual copo Stanley.
Parei a escrita aqui e dei uma boa gargalhada.
Hoje, ao escutar os primeiros acordes, ainda sinto o mesmo frio na barriga. Já não me vejo mais pulando feito pipoca, mas encararia feliz um camarote. Fases e processos. Mudam-se os itinerários, mas o amor que permanece é o som do trio vibrando em cada pedacinho do meu ser, eternamente apaixonado pelo carnaval.
Você sabia que, lá no início, o famoso abadá, hoje todo bonito e altamente customizado, se chamava “mortalha”? Era assim que os jovens da década de 70 se vestiam para o carnaval, sem luxo ou adereços. E, pasmem, meu primeiro bloco foi justamente com a mortalha, no Bloco Ki-beijo. Ainda tenho a foto por aí para comprovar.
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https://www.acreaovivo.com/noticia/192790/atras-do-trio-eletrico