06/01/2026
Alguns partos parecem fluir com uma facilidade quase desconcertante. O bebê desce, o corpo responde, o tempo se organiza e o nascimento acontece como se tudo estivesse alinhado. Outros, mesmo quando o checklist está impecável, posição do bebê adequada, batimentos cardíacos tranquilos, bolsa íntegra, sinais clínicos favoráveis, ficam presos, arrastados, como se algo invisível estivesse segurando aquele nascimento.
E muitas vezes está mesmo.
Parto não é apenas biomecânica. Não é só pelve, contração e dilatação. Parto é atravessado pela história daquela mulher, pelas dores que ela carrega, pelas palavras que ouviu, pelas experiências que viveu, pelas memórias conscientes e inconscientes que habitam seu corpo e sua alma. Há partos que encontram passagem fácil porque aquela mulher está disponível, entregue, aberta. E há partos que encontram resistência porque ainda existem amarras, medos, culpas, traumas, expectativas externas, histórias que não são dela.
O bebê também traz a sua própria força, o seu próprio tempo, a sua própria missão. Há nascimentos que pedem silêncio, outros pedem presença, outros pedem tempo. Quando o parto demora, muitas vezes não é o corpo que falha, é o processo que pede escuta. Escuta do corpo, da alma, do campo emocional e espiritual que envolve aquele nascimento.
Por isso, preparar se para o parto vai muito além do físico. É também um preparo emocional e espiritual. É olhar para dentro, curar feridas, ressignificar histórias, soltar pesos que não precisam ser levados para o momento do nascimento. Quando corpo, mente e espírito caminham juntos, o parto encontra passagem. E quando não caminham, o parto ensina, com intensidade, com pausa, com espera.