11/09/2021
Sibutramina é perigoso?
Um dos maiores preconceitos com relação a sibutramina é quanto ao risco de doenças cardiovasculares. De onde vem isso e será que é algo mesmo tão preocupante?
O estudo SCOUT (Sibutramine Cardiovascular Outcomes Trial) foi um grande estudo multicêntrico, randomizado, placebo-controlado, desenhado para avaliar os efeitos do uso de sibutramina em longo prazo na incidência de eventos cardiovasculares e morte cardiovascular em indivíduos de muito alto risco. Os resultados finais mostraram um aumento de 16% do risco de desfechos cardiovasculares não fatais combinados no grupo sibutramina em relação ao grupo placebo (11,4% versus 10,0%, respectivamente) sem aumento na mortalidade, à custa do grupo com concomitante diabetes e doença arterial coronariana, mas não nos diabéticos sem doença coronariana nem nos diabéticos com um fator de risco cardiovascular.
Ou seja, em pacientes com doença cardiovascular já estabelecida, tivemos um pequeno aumento no risco de eventos cardiovasculares, mas sem aumento na mortalidade. A sibutramina não deve ser usada nesse grupo!
Mas e nos pacientes sem doença cardiovascular estabelecida? Esse estudo comprovou a segurança da sibutramina. E não só isso.
Estudos de análise de subgrupos posteriores demonstraram redução do risco nos pacientes que perderam peso durante o estudo SCOUT.
Esse estudo levou precocemente à proibição da sibutramina na Europa, generalizando os resultados dessa população de altíssimo risco (quase todos com contraindicação em bula e que usaram a droga independentemente de estar ou não perdendo peso) para o restante da população obesa.
No Brasil, a ANVISA não proibiu a sibutramina, uma vez que ela é segura na população sem doença cardiovascular estabelecida.
Sendo assim, a sibutramina não deve ser usada em pacientes com:
– Doença cardiovascular estabelecida (aí entram as mais variadas, incluindo hipertensão arterial não controlada)
– Histórico de transtornos alimentares, como anorexia ou bulimia
– Transtornos psiquiátricos, como depressão, ansiedade não controlada ou transtorno bipolar
– Que estejam utilizados medicações que alterem os seus neurotransmissores e possam interagir com a sibutramina (consulte o seu médico!)
– Pacientes com mais de 65 anos, crianças, adolescentes e gestantes não devem usar a sibutramina.
Essas são as principais contra-indicações. Inclusive sua pressão arterial deve monitorada durante o tratamento!