10/09/2021
Crianças e adolescentes também podem ter depressão?
Sim! No estudo Los Angeles Epidemiologic Catchment Area Project, 25% dos adultos com depressão maior relataram o primeiro episódio da doença ocorrendo antes dos 18 anos de idade.
Em geral, as manifestações clínicas da depressão em crianças, adolescentes e adultos são as mesmas, no entanto, é necessário destacar alguns sintomas mais característicos das diferentes faixas etárias, uma vez que correspondem a diferentes fases de desenvolvimento.
Em crianças pré-escolares (6 a 7 anos), a manifestação clínica mais comum é representada pelos sintomas físicos, como dores (principalmente de cabeça e abdominais), fadiga e tontura. O prazer de brincar ou ir para a pré-escola também pode diminuir e as aquisições de habilidades sociais próprias da idade podem não ocorrer naturalmente.
Em crianças escolares (6/7 a 12 anos), o humor depressivo já é notado com mais facilidade e pode ser relatado como tristeza, irritabilidade ou tédio. Essas crianças podem apresentar choro fácil, apatia, fadiga, isolamento, declínio ou desempenho escolar fraco, podendo chegar à recusa escolar, ansiedade de separação, fobias e desejo de morrer. Também podem relatar concentração fraca, queixas físicas, perda de peso e insônia. Nesta fase, é comum a criança não ter amigos, dizer que os colegas não gostam dela ou apresentar um apego exclusivo e excessivo a animais, além de não conseguir se divertir.
Adolescentes (a partir de 12 anos) costumam apresentar sintomas semelhantes aos dos adultos, mas é importante ressaltar algumas particularidades. Adolescentes depressivos não estão sempre tristes, apresentando-se principalmente irritáveis e instáveis, podendo ocorrer crises de explosão e raiva em seu comportamento. Mais de 80% dos jovens deprimidos apresentam humor irritado, perda de energia, apatia e desinteresse importante, retardo psicomotor, sentimentos de desesperança e culpa, perturbações do sono (principalmente sono excessivo), alterações de apetite e peso, isolamento e dificuldade de concentração. Também estão presentes o prejuízo no desempenho escolar, a baixa auto-estima, as ideias e tentativas de suicídio e graves problemas de comportamento, especialmente o uso abusivo de álcool e dr**as.
Alguns destes sinais e sintomas podem ser vistos como uma fase de um “adolescente rebelde”. Contudo, é muito importante ressaltar que irritabilidade, isolamento, tristeza, baixo rendimento escolar, hostilidade e abuso de álcool e outras dr**as, especialmente quando prolongados, NÃO devem ser considerados normais da adolescência. Esses sinais alertam para um provável quadro depressivo que carece de uma avaliação de profissional da área da saúde mental. Quanto mais cedo identificada a depressão e iniciado o tratamento adequado, melhor a perspectiva de qualidade de vida e preservação da funcionalidade da criança ou adolescente.
É importante destacar também que durante este período de investigação e tratamento, o apoio familiar é fundamental, uma vez que confere estabilidade e suporte para estas crianças e adolescentes ainda em formação para uma vida adulta saudável.
Referência: Bahls, Saint-Clair. (2002). Aspectos clínicos da depressão em crianças e adolescentes: clinical features. Jornal de Pediatria. 78. 10.1590/S0021-75572002000500004.
http://www.jped.com.br/conteudo/02-78-05-359/port.asp