20/03/2026
Durante algum tempo eu mesma me vi nessa dinâmica psicológica disfuncional com uma empresa. Mesmo depois de sair eu demorei para conseguir reconhecer para mim mesma o quanto aquele ambiente era nocivo, o quanto tinha me adoecido e adoecido a forma como eu me relacionava com outras pessoas.
Era como se eu tivesse alguma “dívida de gratidão” com a empresa, como se as condições de trabalho e o salário digno não fossem o mínimo que uma empresa deveria oferecer e o meu retorno em trabalho não fosse suficiente para equilibrar essa relação.
Muitas empresas se especializaram em produzir nos profissionais esse “sentimento de devedor”, que os faz minimizar abusos, assédios, relações de desrespeito e todo o combo que deteriora a saúde física e mental no trabalho.
Reconhecer essa relação disfuncional é o primeiro passo para começar algum movimento em busca de relações mais saudáveis no trabalho.
Às empresas cabe garantir que diretrizes e pessoas em posições estratégicas não reforcem essa cultura de “dívida impagável que justifica tudo” e passem a garantir ambientes de respeito e trocas dignas.