23/02/2026
FÉRIAS DO PSICOTERAPEUTA
Muitos colegas têm (ou tinham!) suas férias coincidindo com as férias escolares, devido a seus filhos. Eu mesma, enquanto tive filho pequeno fiz minhas férias do consultório e dos Cursos que ministrava, desta forma.
Mas, não demorou muito para eu notar que, quando tirava um mês inteiro de férias, os não retornos de clientes quando de meu reinício, era muito grande.
Fui procurar as razões para este não retorno, e ficou claro que:
1. Alguns sentiam-se abandonados, num momento em que se sentiam necessitados de minha atenção, de meu trabalho terapêutico com eles;
2. Outros sentiam inveja das alegrias que eu deveria sentir durante este tempo de afastamento, e tinham raiva de mim;
3. E ainda alguns percebiam que se puderam viver 1 mês sem psicoterapia, por que retornar?
Isto me fez reconsiderar meu direito e necessidade de férias.
Jamais tirei férias se eu estivesse com algum cliente em depressão, luto, ou com algum transtorno grave de ansiedade. Uma vez que assumi este compromisso de acompanhar seu mal-estar, não aceitava abandoná-las justo quando mais precisavam de mim.
Mudei assim:
1. Resolvi cortar minhas férias em 4 semanas distribuídas pelo ano. Com isto, podia viajar 4 vezes ao ano com meu filho e familiares.
2. Mas, tendo alguma cliente em um real mau momento, não saía naquela semana, e a transferia para momento mais oportuno.
E, sabe o que notei? Os abandonos do processo psicoterápico, após minha volta, acabaram! O que realmente confirmaram minhas hipóteses de que um processo destes não deve ser interrompido por 1 mês seguido, pois propicia uma série de sentimentos diversos em nossas clientes mais frágeis, e que mais precisam de nós, podendo fazê-las lançar mão de defesas egóicas não tão adaptativas para se proteger desta ameaça que as fazemos sentir.
Agora, isto não mais é problema dado que temos a alternativa de atender virtualmente, o que nos deixa totalmente livres para tirar férias do tamanho que desejarmos: basta levar um aparelho com internet, e nos comunicamos como se estivéssemos no mesmo lugar!
Um Abraço,
Maria Alice Lustosa, PhD
CRP: 05/1719