25/03/2026
DESAFIOS DO ENVELHECIMENTO FEMININO
Envelhecer, como mulher, no Brasil, não é tarefa simples.
Embora vivamos mais, mulheres idosas tendem a ter uma sobrevida com piores condições de saúde e mais incapacidades e oportunidades do que os homens.
Comprovadamente sofremos mais doenças crônicas como osteoporose. A osteoporose é uma condição do envelhecimento e falência de nossos ovários, que a partir da menopausa não nos fornecem mais o estrogênio, importantíssimo para a reposição de células ósseas.
A depressão também acomete mais mulheres e, como é difícil ser adequadamente diagnosticada, seu tratamento é precário.
Historicamente, o papel de cuidadora recai sobre a mulher, e isso se intensifica com o envelhecimento populacional.
Mulheres idosas (50-60 anos), em nossa cultura, frequentemente se tornam as principais cuidadoras de seus pais mais longevos e/ou de seus netos.
E, essa sobrecarga tem um impacto direto em nossa saúde mental, bem-estar social e físico, e pode restringir oportunidades de lazer, participação social e até mesmo de permanecer no mercado de trabalho.
Existe também o preconceito contra a idade, que afeta as mulheres de maneira particular, dificultando sua reinserção ou permanência no trabalho. Portanto, além da sobrecarga dos cuidados familiares, o mercado de trabalho se restringe muito devido a sua idade.
Muito triste, mas enquanto o homem mais velho é muitas vezes associado à experiência e ao conhecimento, a mulher madura é frequentemente penalizada pela idade no ambiente corporativo, sendo pressionada a manter uma aparência sempre jovem, quando não tem este poder.
E, até quando viveremos isto? Até quando nossa cultura caminhará penalizando o envelhecimento feminino, e não lhe dando a devida importância por toda experiência acumulada em todos seus anos de vida?
Chega! Não? O que mais precisamos provar para termos nossas habilidades reconhecidas enquanto idosas?
Um Abraço,
Maria Alice Lustosa, PhD
CRP: 05/1719