04/02/2026
BIOÉTICA E FIM DE VIDA
Em nosso trabalho no ambiente hospitalar, a atuação é central em momentos de grande delicadeza ética, como em Cuidados Paliativos.
No acompanhamento da paciente e sua família, na finitude, tentamos auxiliar na elaboração do luto, sempre promovendo a dignidade, o conforto e o bem-estar.
Entretanto o desafio é a escassez de equipes completas de Cuidados Paliativos e, geralmente, o despreparo institucional para abordar a morte.
Falar sobre morte ainda é um tabu, mesmo em uma instituição que convive com isto diariamente. Por esta dificuldade é que as equipes, geralmente f**am aliviadas quando nos encontram no corredor, para nos indicar esta tarefa, dizendo que “vão ali e já voltam”, esperando que abordemos este assunto difícil para elas.
Ajudar a equipe e a família a lidar com decisões sobre manutenção ou suspensão de tratamento (distanásia, ortotanásia), mediando conflitos e respeitando a autonomia do paciente é outra de nossas tarefas. As opiniões podem variar em relação ao apoio ou não destas práticas, o que torna ainda mais doloroso este momento.
Precisamos, antes de encontrar a família, conversar com a equipe de saúde sobre a orientação desta sobre estas práticas, para sermos coerentes ao encontrar família e paciente.
Trabalhar na equipe de Cuidado Paliativo é nobre, mas só pode ser realizado por quem tem refletido, dentro de si, a questão da morte e do morrer. Caso contrário, há outros campos, dentro da Psicologia Hospitalar, que podemos abraçar com mais conforto.
Um Abraço,
Maria Alice Lustosa, PhD
CRP:05/1719