28/01/2026
O sofrimento psíquico faz parte da experiência humana.
Nem toda dor emocional configura doença mental.
Na prática clínica contemporânea, observa-se ampliação excessiva de rótulos diagnósticos.
Reações esperadas a perdas, frustrações e conflitos cotidianos são, por vezes, tratadas como transtornos psiquiátricos.
A psiquiatria baseada em evidências exige critério.
Diagnóstico pressupõe duração, intensidade, prejuízo funcional e exclusão de respostas adaptativas normais.
Medicalizar o sofrimento comum empobrece a escuta clínica.
Também desloca a responsabilidade subjetiva e social para uma solução exclusivamente farmacológica.
Por outro lado, minimizar sofrimento significativo é igualmente inadequado.
A fronteira entre dor humana e transtorno mental não é ideológica.
É clínica.
O papel ético do psiquiatra é diferenciar.
Nomear quando há transtorno.
Sustentar quando há sofrimento sem patologia.