07/11/2025
Há uma crise silenciosa na medicina contemporânea. Não é falta de tecnologia nem de recursos, mas de virtude. Vivemos cercados de inteligência artificial, exames de precisão e protocolos que prometem decisões perfeitas. Ainda assim, cresce o vazio entre o médico e o paciente. O progresso científico nunca foi tão grande e, paradoxalmente, nunca estivemos tão carentes de humanidade.
O médico que o ser humano merece é, antes de tudo, estudioso. A técnica salva vidas, e o conhecimento é um dever moral. Mas erra quem acredita que basta saber. A medicina é feita também de escuta, de presença, de silêncio que conforta. O conhecimento sem empatia transforma o cuidado em procedimento. É preciso saber, mas também sentir. Ser médico é equilibrar a objetividade da ciência com a ternura do olhar. É perceber quando a dor do outro precisa mais de uma palavra acolhedora do que de um exame adicional.
A medicina baseada em evidências é o alicerce da boa prática. Ela representa a vitória da razão sobre o improviso e da ciência sobre o empirismo. Decidir com base em evidências é um ato de respeito ao paciente, pois signif**a oferecer o melhor que o conhecimento humano já comprovou. No entanto, cabe ao médico a tarefa de interpretar e contextualizar essas evidências, aplicando-as à realidade individual de quem está à sua frente. Nenhuma diretriz substitui o julgamento que nasce da experiência e da compaixão. O bom médico é aquele que domina a ciência e, ao mesmo tempo, enxerga o ser humano por trás dos números.
Também é tempo de nos libertarmos dos abusos da indústria farmacêutica e das condutas antiéticas que, em nome do lucro, ameaçam a essência do cuidar. A indústria é parte importante do avanço médico, mas não pode ocupar o lugar do juízo profissional. As decisões clínicas devem nascer da ciência, não da pressão. Ética e independência são virtudes que protegem o paciente e preservam a alma de quem cuida. Um médico não deve vender convicções; deve sustentá-las com base em evidências, integridade e consciência.
*Continuação nos comentários