11/05/2021
Esta é uma notícia triste, por ter desencadeado uma série de reações em cadeia INFUNDADAS, inclusive estados que suspenderam a vacinação de gestantes com QUALQUER VACINA. Primeiro, houve UM caso de trombose que precisa ser apurado/monitorado como possível efeito adverso com a vacina AstraZeneca mas como eu já expliquei aqui várias vezes a própria gestação é fator de risco para trombose e a incidência de trombose é de 1-2 para 1.000 em gestantes/puérperas. Se temos 3 milhões de gestantes a serem vacinadas no país, é previsível ter no cenário mais conservador ao longo do ano em torno de 3 mil casos de trombose relacionada com o ciclo gravídico-puerperal e que podem coincidir com a gravidez. A trombose trombocitopênica induzida pela vacina tem um mecanismo imune e NÃO está relacionada com os fatores de risco habituais para trombose, incluindo a gravidez, portanto países onde a vacina está disponível como o Reino Unido não contraindicam a vacina em gestantes (eu postei aqui), depois que elas recebem as informações necessárias. Estamos em um cenário de falta de vacinas que não foi culpa nossa e sim do governo que ano passado falhou em adquirir vacinas suficientes, porém continuamos insistindo que gestantes são grupos prioritários e que se forem nessa onda de proibir a AstraZeneca pelo menos garantam as vacinas da Pfizer e Coronavac para gestantes e puérperas. O que tem levado a mortes maternas a granel, insistimos, não são as vacinas nem nunca foi, é a COVID-19, que tem um risco de trombose nas suas formas graves de 16,5%. Toda a solideriedade à família da gestante e esperamos que o caso seja investigado e haja conclusões sólidas se foi ou não evento adverso da vacina. Enquanto isso, a vacinação não pode parar. Não adianta dizer que não está na bula das vacinas pois quem tem o poder de autorizar o uso off label é o Ministério da Saúde. Não podemos admitir retrocessos, sabemos que direitos tão duramente conquistados sempre podem ser colocados em cheque - principalmente os direitos das mulheres. Todos os esforços devem ser envidados para que as vacinas continuem chegando nos braços das gestantes