08/11/2022
Essa é uma das frases que mais tenho ouvido no trabalho nos últimos meses. A vida voltou ao presencial, mas alguns marcos temporais se passaram e não vimos. Crescemos, mudamos. Os anos em casa nos transformaram de muitas formas e agora estamos nos percebendo. Diferentes. Entramos no home office no início de uma graduação e estamos saindo dela no final, formandos. Perdemos festas, formaturas, cerimônias. Marcos temporais que nos dão sensação de tempo e de ciclos que se encerram não aconteceram.
A criança que entrou em home office saiu desses anos sendo um adolescente. O corpo mudou, os amigos mudaram, a escola mudou. Viajamos no tempo. Voltamos para o mundo presencial sem algumas pessoas queridas que infelizmente não viram esses dois anos passarem. Voltamos com buracos nas relações, sem alguns vínculos importantes para nós. Voltamos, mas não somos os mesmos.
Foi importante estar em casa porque resistimos, nos vacinamos, chegamos até aqui.
Mas, agora não temos palavras para definir a sensação do tempo roubado, dos marcos temporais que perdemos.
Esse texto não tem intenção de trazer solução ou forma de bolo para essa angústia. Angústias precisam ser sentidas para darmos significados. O texto é mais um abraço, de que, se você também tá sentindo isso, você não tá sozinho. Um afago.
Você tá se sentindo assim também?
Também perdeu alguns marcos temporais e se viu hoje diferente, vivendo uma vida diferente? Isso tem sido uma ferida na sua saúde mental? Sente que perdeu algo ou alguém nesses dois anos que não pode voltar a ter?
Como vamos reconstruir esse tempo?
Que você encontre ninho e lugar seguro pra digerir essa angústia. Que você possa realizar os seus marcos temporais e desenhar sua linha do tempo, sua história de vida.