21/09/2023
Não é nenhuma novidade, mas é muito bom ver modelos de decisão compartilhada sendo discutidos no Congresso Brasileiro de Cirurgia de Cabeça e Pescoço.
É fundamental em toda consulta entender o contexto de vida do paciente, explicar pra ele as possibilidades e mostrar os riscos de cada tipo de tratamento ou de não-tratamento e, a partir daí tomar uma decisão em conjunto (na minha área, a decisão inclui a discussão com radiologista, patologista, endocrinologista e/ou oncologista).
O mesmo tumor, do mesmo tamanho, no mesmo local, pode ter condutas bastante diferentes a depender de quen é o paciente e de seu contexto de vida.
A mãe dele está com Alzheimer? O filho dela está tratando uma leucemia? Ele vai perder o plano de saúde no mês que vem? Ela vai se mudar para o Zimbábue? O casamento é daqui a 6 meses? Ela está grávida? Tudo conta. E nada disso está nos guidelines ou nos livros.
Para entendermos todos esses aspectos e estudarmos a doença do paciente, é preciso de tempo. Atender reservando bastante tempo para as consultas e disponibilidade no pré operatório para retirar dúvidas. Já importaram o nome de "slow medicine" para essa prática, "medicina lenta", sem pressa nos atendimentos (é claro que as burocracias precisam andar rápido).