21/02/2026
Em algum momento, quase sem aviso, percebemos.
Aqueles que foram abrigo, força e direção começam a caminhar com passos mais lentos.
A memória falha, o corpo pede pausa, o tempo passa a deixar marcas mais visíveis.
Eles envelhecem.
E, silenciosamente, nós também.
A vida gira como uma roda antiga, mudando os lugares sem pedir permissão.
Um dia somos cuidados. No outro, aprendemos a cuidar. Não porque escolhemos, mas porque o amor nos chama para esse novo lugar.
Cuidar não é diminuir.
Não é tratar como criança quem já atravessou tantas histórias.
Cuidar é sustentar a dignidade, respeitar o tempo, proteger a essência de quem nos ensinou a viver.
Ninguém nos entrega um manual. Aprende-se no encontro, no erro, na escuta.
Cada família escreve sua própria forma de amar, com gestos, silêncios e memórias compartilhadas.
Para cuidar de verdade, é preciso conhecer.
Ouvir os sonhos que ainda existem, os medos que nunca foram ditos, as alegrias que o tempo não apagou. Perguntar como desejam ser cuidados quando o corpo fraquejar. Conversar sobre o amanhã, mesmo quando ele assusta.
Falar do futuro também é um ato de amor. Organizar caminhos, alinhar decisões, preparar o que vier, juntos.
Ser guardião da dignidade de alguém é segurar sua história com respeito.
É devolver, em cuidado, tudo aquilo que um dia nos foi dado em amor.