04/08/2020
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Imagine o desafio de amamentar, que vivemos nas atuais gerações, como um rio cuja correnteza segue um sentido unidirecional. Cada mulher, desde que nasceu, vem seguindo o fluxo dessa correnteza: muito provavelmente mamou pouco ou nem foi amamentada, fez uso de chupetas e mamadeiras, brincou de bonecas que eram ninadas com chupetas e alimentadas com mamadeiras, cresceu exposta à associação entre peito feminino x sexualização e quando se torna mãe, sofre inúmeras dificuldades na amamentação.
Ter sucesso no aleitamento materno neste contexto significa nadar contra a corrente, e muitas mulheres, que sentem no coração o desejo de amamentar, sucumbem diante das pressões, conselhos equivocados e falta de apoio e informação.
Por tudo isso, não podemos pensar que estamos diante de uma ESCOLHA sobre como preferimos alimentar nossos bebês no início da vida. Não estamos! Seguindo o fluxo, nosso destino será a mamadeira. E além de todas os prejuízos para a saúde e desenvolvimento dos bebês, muitas mulheres ainda sofrem com sentimentos de culpa, desconexão, impotência, fracasso, depressão e baixa autoestima. As mamas ingurgitam, inflamam, doem. O corpo reflete as dores da alma. E o ciclo se repetirá enquanto não tomarmos uma atitude.
Um mês dedicado ao apoio e conscientização da AMAMENTAÇÃO deve ser compreendido como um bote salva-vidas, buscando resgatar quem está fazendo tanto esforço para restabelecer uma prática natural e possibilitando uma experiência positiva na história de muitas famílias.
Não se trata de medida de amor, nem de julgar quem é “mais mãe” ou “menos mãe”. Se trata de abrir caminhos para facilitar o passo daquela que está ao lado ou que virá depois.
“Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.”
Portanto, vamos juntas, de mãos dadas; acolhendo, amparando e auxiliando umas às outras para que sejamos, de fato, as protagonistas de nossas escolhas.
(Fotografia de Camila Albano e Dani Chaves.)
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