29/01/2026
Torcer pela polilaminina faz sentido.
Todo mundo quer que novos tratamentos deem certo, eu também.
E é impossível falar desse tema sem reconhecer o trabalho sério, dedicado e incansável da professora Tatiana Sampaio, que há 25 anos estuda a paralisia, investiga caminhos de regeneração e sustenta a ciência mesmo quando o processo é longo, difícil e silencioso. Esse esforço merece respeito e reconhecimento.
Mas, com a mesma honestidade científica que sempre guiou esse trabalho, é preciso dizer: até hoje não existe base científica sólida que comprove a eficácia da polilaminina em lesões medulares.
Não dá pra afirmar cura.
Não dá pra vender certeza onde ainda há pesquisa.
Poucas pessoas sabem que, de todos os tratamentos testados em estudos de fase 1 para condições neurológicas como lesões da medula espinhal, menos de 5% acabam dando certo e ajudando os pacientes.
Hoje, a evidência científica ouro no cuidado de pessoas com lesão medular é a fisioterapia, com protocolos bem estruturados, acompanhamento contínuo e foco em funcionalidade, autonomia e qualidade de vida.
Esperança, sim.
Desinformação, não.
Valorizar a ciência é também respeitar o paciente e honrar quem dedica a vida inteira a pesquisar com ética, rigor e responsabilidade.