03/03/2026
A distração digital no centro cirúrgico é um tema sensível e necessário.
A anestesiologia evoluiu muito nas últimas décadas: monitorização mais avançada, alarmes mais inteligentes, protocolos mais consolidados. Mas essa mesma sensação de controle pode criar um risco silencioso: a perda de vigilância por desatenção.
No ambiente perioperatório, mudanças clínicas relevantes nem sempre chegam como “evento agudo”. Muitas vezes, elas começam como tendências discretas, sinais progressivos e pequenas quebras de padrão. E é exatamente aí que a atenção do anestesiologista faz diferença: na leitura contínua do paciente, do monitor, do ventilador e do contexto.
📌 Celular, mensagens, redes sociais e múltiplas telas competem diretamente com a consciência situacional.
Mesmo quando parece “rápido”, o custo pode ser alto: atraso na identif**ação de alterações, resposta tardia a eventos e falhas de comunicação com a equipe.
Outro ponto crítico: a anestesia também é sensorial. Sons do ventilador, alarmes e interações da sala são parte da vigilância. O uso de fones de ouvido e recursos de cancelamento de ruído pode reduzir a percepção desses sinais e aumentar vulnerabilidades.
✅ Como conduta de segurança, reforçamos boas práticas simples e efetivas:
• evitar uso de celular para fins não assistenciais durante o ato anestésico, especialmente em indução, emergência e períodos críticos
• estabelecer combinados de equipe para reduzir interrupções e distrações
• quando o telefone for necessário por motivo profissional, utilizar com critério e retomar imediatamente o “scan” clínico (paciente + monitor + ventilador)
A tecnologia é uma aliada importante. A vigilância ativa do anestesiologista continua sendo a principal barreira de segurança.
A SAERJ convida você a refletir: como sua equipe organiza o uso de celular na sala e em quais momentos vocês adotam “zero distrações”?