Rodrigo Siqueira Endocrinologista

Rodrigo Siqueira Endocrinologista Página com informações sobre endocrinologia e metabologia!

Mesmo quando os números parecem bons, o organismo pode contar outra história. Em pessoas com diabetes tipo 1, marcadores...
02/04/2026

Mesmo quando os números parecem bons, o organismo pode contar outra história. Em pessoas com diabetes tipo 1, marcadores inflamatórios podem permanecer elevados apesar de um controle glicêmico adequado. Isso muda a forma como entendemos a doença.

O DM1 não é apenas uma deficiência de insulina. Ele envolve um processo autoimune ativo e, muitas vezes, uma inflamação sistêmica de baixo grau persistente. Esse estado inflamatório pode atuar de forma silenciosa, sem sintomas evidentes, mas com impacto metabólico contínuo.

Essa inflamação crônica ajuda a explicar por que algumas complicações podem evoluir mesmo em pacientes com bom controle glicêmico. O risco cardiovascular, por exemplo, não depende apenas da glicose, mas também desse ambiente inflamatório sustentado.

Na prática clínica, isso reforça a necessidade de uma abordagem mais ampla. Não se trata apenas de “controlar números”, mas de entender o paciente como um todo: estilo de vida, sono, estresse, composição corporal e outros fatores que modulam inflamação.

O futuro do cuidado no diabetes passa por esse olhar integrado. Quanto antes ampliarmos essa visão, maior será nossa capacidade de prevenir complicações e promover saúde de forma real.

Referência:
Donath MY et al. Inflammation in diabetes. Nature Reviews Immunology. 2019.

No diabetes tipo 1, a hipoglicemia não é apenas um episódio isolado. Ela desencadeia uma resposta fisiológica complexa q...
01/04/2026

No diabetes tipo 1, a hipoglicemia não é apenas um episódio isolado. Ela desencadeia uma resposta fisiológica complexa que, com o tempo, pode se deteriorar. Um dos principais mecanismos de defesa do organismo, a liberação de glucagon, começa a falhar precocemente nesse contexto.

O glucagon é essencial para elevar a glicose em situações de queda. No entanto, em pessoas com DM1, essa resposta contrarregulatória se perde progressivamente. Isso significa que o corpo deixa de “avisar” e de “corrigir” a hipoglicemia de forma eficiente.

Quando episódios de hipoglicemia se tornam frequentes, essa falha se intensifica. O organismo passa a reconhecer níveis baixos de glicose como algo “normal”, reduzindo ainda mais os sinais de alerta. É o que chamamos de hipoglicemia inadvertida, uma condição que aumenta significativamente o risco de eventos graves.

Mais do que evitar desconforto imediato, prevenir hipoglicemias é uma estratégia de proteção fisiológica a longo prazo. Cada episódio importa. Cada ajuste de tratamento pode ser decisivo para quebrar esse ciclo silencioso.

Referência: Cryer PE. Hypoglycemia in diabetes. Diabetes. 2007.

Quando falamos em insulina no diabetes tipo 1, geralmente pensamos apenas no controle da glicose. Mas existe um detalhe ...
31/03/2026

Quando falamos em insulina no diabetes tipo 1, geralmente pensamos apenas no controle da glicose. Mas existe um detalhe importante que muitas vezes passa despercebido: a forma como a insulina é administrada no corpo não reproduz exatamente a fisiologia natural.

No organismo sem diabetes, a insulina é liberada pelo pâncreas diretamente na circulação portal, chegando primeiro ao fígado. Já na aplicação subcutânea, como usamos no tratamento, essa insulina atinge primeiro os tecidos periféricos, como músculo e tecido adiposo.

Esse “caminho diferente” pode influenciar a forma como o corpo armazena energia. Com maior exposição periférica à insulina, há estímulo mais direto para o acúmulo de gordura subcutânea, o que ao longo do tempo pode se traduzir em mudanças na composição corporal.

Na prática clínica, isso ajuda a explicar por que alguns pacientes em terapia intensiva apresentam alterações corporais mesmo com bom controle glicêmico. Não é apenas sobre dose, mas também sobre fisiologia e distribuição.

Entender esse mecanismo amplia a nossa visão do tratamento: controlar o diabetes vai além da glicemia. Envolve compreender como a insulina atua no corpo como um todo.

Referência: Shulman GI. Ectopic fat in insulin resistance. J Clin Invest. 2014.

29/03/2026

Accu Chek SmartGuide! Primeiro sensor de glicose com inteligência artificial. Vocês conheciam os recursos ?

28/03/2026

Adesivo que não causa alergia ? Essa é a proposta do Capteur Protect! Usariam ?

A ideia de que o rim só está em risco quando surge albuminúria já não se sustenta diante do que sabemos hoje. No diabete...
27/03/2026

A ideia de que o rim só está em risco quando surge albuminúria já não se sustenta diante do que sabemos hoje. No diabetes tipo 1, alterações precoces como a hiperfiltração glomerular podem ocorrer anos antes de qualquer marcador clássico se alterar. Esse é um ponto crítico, porque o dano começa silencioso, muitas vezes fora do radar clínico.

Do ponto de vista fisiopatológico, a hiperfiltração reflete um estado de sobrecarga intraglomerular, com aumento da pressão e do fluxo nos capilares renais. Embora inicialmente compensatório, esse mecanismo pode acelerar lesões estruturais ao longo do tempo, especialmente quando associado à variabilidade glicêmica e controle subótimo.

Na prática clínica, isso reforça a necessidade de olhar além dos exames tradicionais. Avaliar tendências glicêmicas, variabilidade, pressão arterial e até estimativas de função renal em fases iniciais pode antecipar intervenções. Esperar a albuminúria aparecer é, muitas vezes, perder uma janela importante de proteção.

Para pacientes e médicos, a mensagem é direta: proteção renal no DM1 começa cedo. Estratégias individualizadas, controle glicêmico consistente e acompanhamento regular são fundamentais para reduzir o risco de progressão silenciosa da doença renal.



Referência: Magee GM et al. Early diabetic nephropathy. Kidney International. 2009.

Mesmo em um cenário com mais informação disponível, o diagnóstico do diabetes tipo 1 ainda ocorre, com frequência, em fa...
25/03/2026

Mesmo em um cenário com mais informação disponível, o diagnóstico do diabetes tipo 1 ainda ocorre, com frequência, em fases avançadas da doença. Não é raro que o primeiro contato com o sistema de saúde aconteça já em contexto de cetoacidose diabética, uma complicação potencialmente grave e evitável com reconhecimento precoce.

Os sintomas clássicos continuam sendo sinais-chave: poliúria, polidipsia, perda de peso e fadiga. O problema é que esses sinais muitas vezes são subestimados, confundidos com quadros comuns da infância ou negligenciados no início. Para médicos, isso reforça a importância de manter alto grau de suspeição clínica. Para famílias, é um convite à observação ativa.

Do ponto de vista fisiopatológico, o atraso no diagnóstico permite progressão da deficiência insulínica até níveis críticos, favorecendo descompensação metabólica importante. Intervenções precoces não apenas evitam a cetoacidose, como também podem preservar função residual de células beta por mais tempo, impactando diretamente na evolução clínica.

Na prática, diagnosticar cedo é mudar a história da doença desde o início. Isso significa menos risco, melhor adaptação ao tratamento e, potencialmente, melhor qualidade de vida a longo prazo.

Referência: Usher-Smith JA et al. Diabetic ketoacidosis at diagnosis of type 1 diabetes in children. Lancet Diabetes Endocrinol. 2018.

O cérebro humano, embora represente cerca de 2% do peso corporal, consome aproximadamente 20% de toda a glicose disponív...
24/03/2026

O cérebro humano, embora represente cerca de 2% do peso corporal, consome aproximadamente 20% de toda a glicose disponível no organismo. Essa dependência energética elevada reflete a intensa atividade neuronal contínua, essencial para funções como consciência, memória, raciocínio e controle autonômico.

Diferente de outros tecidos, o cérebro possui capacidade limitada de armazenamento energético. Isso significa que ele depende de um fornecimento constante de glicose circulante. Pequenas quedas glicêmicas já são suficientes para impactar sua função, especialmente em pacientes com diabetes tipo 1, onde a regulação é mais dinâmica e vulnerável.

Na prática clínica, isso ajuda a entender por que sintomas como tontura, confusão mental, dificuldade de concentração e alterações comportamentais podem surgir rapidamente durante episódios de hipoglicemia, muitas vezes antes de valores extremamente baixos serem registrados. O cérebro é um dos primeiros órgãos a “sentir” essa oscilação.

Esse conhecimento reforça a importância de estratégias que reduzam variabilidade glicêmica e previnam quedas abruptas, especialmente em pacientes com percepção reduzida de hipoglicemia. Mais do que evitar números baixos, trata-se de proteger a função neurológica e a segurança do paciente no dia a dia.

Referência: Mergenthaler P et al. Sugar for the brain: the role of glucose in physiological brain function. Trends Neurosci. 2013.

22/03/2026

Direto do ATTD, um panorama do portfólio da Medtronic e para onde estamos caminhando no cuidado do diabetes. Tecnologia cada vez mais integrada, automatizada e centrada no paciente — e isso muda completamente a forma como pensamos controle glicêmico na prática clínica.

21/03/2026

A tecnologia no diabetes está dando mais um passo.
Agora já é possível prever o impacto da sua refeição na glicose — só com uma foto.
O novo LibreAssist integra com o sensor e ainda sugere ajustes práticos para reduzir o pico pós-prandial.
Isso muda o jogo da autonomia no diabetes.
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O diabetes tipo 1 não costuma vir sozinho. A mesma base imunológica que leva à destruição das células beta pancreáticas ...
20/03/2026

O diabetes tipo 1 não costuma vir sozinho. A mesma base imunológica que leva à destruição das células beta pancreáticas também aumenta o risco de outras doenças autoimunes ao longo da vida, especialmente na infância e adolescência. Entre as associações mais frequentes estão a doença celíaca e a tireoidite autoimune, duas condições que muitas vezes podem evoluir de forma silenciosa no início.

Esse é um ponto essencial para médicos e famílias: a ausência de sintomas não exclui doença em fase inicial. Crianças com DM1 podem apresentar alterações laboratoriais antes mesmo de manifestações clínicas mais evidentes. Por isso, o acompanhamento adequado não se resume à glicemia, à hemoglobina glicada ou à dose de insulina. Ele também envolve uma visão ampliada do terreno autoimune desse paciente.

Na prática, o rastreamento periódico permite identificar precocemente alterações tireoidianas e sinais de doença celíaca, evitando atraso no diagnóstico, piora do controle metabólico, impacto no crescimento, desconfortos gastrointestinais, fadiga e outras complicações que poderiam ser minimizadas com intervenção precoce. Prevenir, nesse contexto, também é tratar melhor o diabetes.

Cuidar de uma criança com DM1 é olhar além do pâncreas. É entender que a prevenção ativa muda desfechos, reduz sofrimento e amplia segurança clínica. O acompanhamento de qualidade não espera o problema aparecer para agir. Referência: Redondo MJ et al. The clinical consequences of autoimmunity in type 1 diabetes. Endocr Rev. 2018.

Nem toda glicose alta vem da comida. Às vezes, vem da biologia tentando te proteger.Quando a glicose cai ou o corpo ente...
19/03/2026

Nem toda glicose alta vem da comida. Às vezes, vem da biologia tentando te proteger.

Quando a glicose cai ou o corpo entende que está sob ameaça, ele ativa hormônios contrarreguladores como glucagon, cortisol, adrenalina e hormônio do crescimento. Eles funcionam como um sistema de defesa metabólica, elevando a glicose para preservar o cérebro e manter o organismo em funcionamento.

Isso ajuda a explicar por que situações como estresse emocional, infecção, dor, noites mal dormidas ou privação de sono podem desorganizar a glicemia mesmo sem erro alimentar aparente. Na prática, o paciente muitas vezes “faz tudo certo” e ainda assim encontra números fora do esperado.

Esse é um ponto central no diabetes: o controle glicêmico não depende apenas da insulina. Ele é resultado de uma interação contínua entre hormônios, sistema nervoso, sono, inflamação e contexto clínico. Entender isso reduz culpa, melhora a interpretação dos dados e qualifica as decisões terapêuticas.

Pergunta para fechar o post: quantas vezes você já viu sua glicose subir sem ter saído da dieta e achou que o problema era só a comida?

Referência: Cryer PE. Mechanisms of hypoglycemia-associated autonomic failure in diabetes. N Engl J Med. 2013.

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