03/02/2026
Um estudo britânico recente mostrou que adultos com DM1 e depressão ou ansiedade que usaram sistemas de circuito fechado híbrido apresentaram redução signif**ativa da HbA1c e aumento expressivo do tempo no alvo, sem aumento de hipoglicemias. O dado é relevante porque esse perfil de paciente costuma ter maior variabilidade glicêmica, mais medo de hipoglicemia e maior risco de abandono terapêutico.
Na prática clínica, o impacto foi claro. Usuários de circuito fechado híbrido tiveram HbA1c menor e cerca de 20% a mais de tempo em faixa quando comparados a quem usava outras formas de insulinoterapia. Além disso, houve redução do sofrimento relacionado ao diabetes, um marcador cada vez mais reconhecido como determinante de adesão e de desfechos metabólicos.
No cenário brasileiro, onde ainda existe resistência em indicar tecnologia para pacientes com sofrimento psíquico por receio de mau uso, esse estudo traz uma mensagem importante. Automação bem indicada, com equipe multiprofissional e educação estruturada, pode ser aliada exatamente nos pacientes considerados mais complexos. Não é só sobre números, é sobre reduzir carga mental, decisões repetitivas e exaustão diária.
Para médicos, f**a o convite à reflexão sobre critérios de indicação. Para pacientes e famílias, a mensagem é de esperança realista. Tecnologia não substitui cuidado, mas quando integrada ao acompanhamento clínico, pode melhorar controle, segurança e qualidade de vida, inclusive em quem enfrenta ansiedade e depressão junto com o diabetes.
Referência: Croos J, Shooshtarian AK et al. Hybrid closed loop systems in adults with type 1 diabetes and comorbid depression or anxiety. Diabetes, Obesity and Metabolism. Publicado online em janeiro de 2026. Estudo apoiado pelo National Institute for Health and Care Research, Reino Unido.