Rodrigo Siqueira Endocrinologista

Rodrigo Siqueira Endocrinologista Página com informações sobre endocrinologia e metabologia!

Na menopausa, a queda do estrogênio muda a “regulagem fina” do metabolismo: tende a reduzir a sensibilidade à insulina, ...
05/03/2026

Na menopausa, a queda do estrogênio muda a “regulagem fina” do metabolismo: tende a reduzir a sensibilidade à insulina, redistribuir gordura para padrão mais central e aumentar variabilidade glicêmica. Na prática, muitas pacientes percebem que o que funcionava por anos começa a falhar, com necessidade de revisar basal, razão insulina carboidrato e fator de correção, além de olhar para sono, estresse e composição corporal.

O ponto crítico é que essa fase também pode acelerar risco cardiovascular. Para quem tem DM1, isso significa ser mais agressivo na prevenção: pressão arterial, lipídios, função renal, tabagismo, atividade física e, quando indicado, intensificar estratégia terapêutica e metas individualizadas. Não é só “idade chegando”, é biologia hormonal mexendo no sistema.

Para médicos, vale rastrear sintomas climatéricos, padrão de hipoglicemias, mudanças de peso, perfil lipídico e adesão, e adaptar o plano com base em dados do sensor e rotina real. Para pacientes, a mensagem é: se a glicose ficou mais imprevisível, isso pode ter explicação hormonal e tem ajuste possível, sem culpa e sem improviso.

Você já ajusta insulina e metas considerando a fase hormonal da paciente?

Referência: Mauvais-Jarvis F et al. S*x differences in diabetes. Nature Reviews Endocrinology. 2017.

A introdução das insulinas ultrarrápidas trouxe uma mudança relevante na forma como lidamos com o pico glicêmico após as...
04/03/2026

A introdução das insulinas ultrarrápidas trouxe uma mudança relevante na forma como lidamos com o pico glicêmico após as refeições. Ao apresentarem início de ação mais rápido e maior atividade precoce, essas formulações conseguem reduzir a excursão glicêmica pós-prandial quando comparadas aos análogos tradicionais, especialmente quando administradas imediatamente antes da refeição ou até mesmo logo após o início da ingestão alimentar.

Na prática clínica, essa diferença farmacocinética permite maior flexibilidade em situações comuns do dia a dia, como refeições imprevisíveis, crianças, adolescentes ou pacientes com dificuldade em aplicar a insulina com antecedência. Além disso, estudos demonstram melhora modesta, porém consistente, no controle pós-prandial e no tempo em faixa glicêmica.

No entanto, a estratégia terapêutica continua sendo individualizada. O benefício das insulinas ultrarrápidas depende da integração com contagem de carboidratos, monitorização contínua da glicose e compreensão do padrão alimentar do paciente. Não se trata apenas de trocar a molécula, mas de ajustar toda a lógica do tratamento.

Referência
Bode BW et al. Faster-acting insulin aspart: earlier onset of appearance and greater early pharmacokinetic and pharmacodynamic effects than insulin aspart. Diabetes Care. 2017.

A associação entre diabetes tipo 1 e doença celíaca não é coincidência, é biologia. Ambas compartilham base genética lig...
03/03/2026

A associação entre diabetes tipo 1 e doença celíaca não é coincidência, é biologia. Ambas compartilham base genética ligada ao HLA e mecanismos autoimunes semelhantes. A prevalência de doença celíaca em pessoas com DM1 é significativamente maior do que na população geral, variando entre 4% e 10%, muitas vezes de forma silenciosa. Pham-Short A et al., em revisão publicada no Diabetic Medicine em 2015, reforçam essa sobreposição imunológica e a frequência de casos assintomáticos.

O ponto crítico é que ausência de sintomas não significa ausência de impacto. Crianças e adultos com DM1 podem apresentar anemia, baixa estatura, dificuldade de ganho ponderal, oscilação glicêmica inexplicada ou até nenhuma manifestação evidente. Ainda assim, a inflamação intestinal crônica pode comprometer absorção de nutrientes e interferir no controle metabólico.

As principais diretrizes internacionais recomendam triagem sorológica ao diagnóstico do DM1 e reavaliações periódicas, especialmente nos primeiros anos ou diante de sinais clínicos sugestivos. Anti-transglutaminase IgA, com dosagem concomitante de IgA total, segue como exame inicial padrão. Em pacientes com deficiência de IgA, outros marcadores devem ser considerados.

Autoimunidade raramente anda sozinha. Ignorar essa associação é perder oportunidade de diagnóstico precoce e prevenção de complicações. Você tem solicitado sorologia celíaca de forma regular nos seus pacientes com DM1?

02/03/2026

“Você tem diabetes? Mas você nem parece!” 🙄
Quem vive com Diabetes Tipo 1 ouve isso quase todos os dias. O que muita gente não vê é a rotina invisível que acontece nos bastidores: as mais de 100 decisões diárias, a contagem minuciosa de carboidratos e as batalhas silenciosas com a glicemia. 🎢
Ter DM1 não tem “cara”. É uma jornada de resiliência, equilíbrio e, acima de tudo, liberdade. Não existe comida proibida, existe conhecimento. Não existe glicemia perfeita o tempo todo, existe esforço constante.
Vamos trocar o julgamento pela empatia? 💙
Mande esse vídeo para alguém que precisa entender que a saúde vai muito além do que os olhos podem ver.

28/02/2026

O diabetes tipo 1 não é apenas uma doença da glicose.

É uma doença autoimune.

O próprio sistema de defesa passa a atacar as células do pâncreas que produzem insulina.

A descoberta de que o sistema imune precisa de mecanismos de controle — a chamada tolerância imunológica — foi tão relevante que recebeu o Prêmio Nobel.

Quando esse sistema falha, surgem as doenças autoimunes.

E isso explica por que pessoas com diabetes tipo 1 podem ter também outras condições, como tireoidite, doença celíaca e vitiligo.

Hoje, tratamos a glicose.

Mas a ciência já busca algo além: entender e modular o sistema imune.

Talvez o maior desafio não seja apenas controlar o açúcar…

mas entender por que o corpo começa a atacar ele mesmo.

Episódios graves, especialmente quando repetidos ao longo dos anos no diabetes tipo 1, estão associados a alterações no ...
26/02/2026

Episódios graves, especialmente quando repetidos ao longo dos anos no diabetes tipo 1, estão associados a alterações no desempenho neurocognitivo, incluindo memória, velocidade de processamento e funções executivas. O estudo clássico de Musen et al., publicado no Diabetes Care em 2008, mostrou que a história acumulada de hipoglicemias severas pode impactar áreas específicas do cérebro, sobretudo quando ocorrem em fases vulneráveis da vida. Não é apenas um evento agudo. É um marcador de risco cumulativo.

Para pacientes e médicos, a mensagem é clara: evitar hipoglicemia não é apenas conforto clínico, é estratégia de neuroproteção. Metas glicêmicas agressivas sem considerar segurança podem custar caro no longo prazo. Tecnologia ajuda, mas decisão terapêutica individualizada é o que realmente protege.

No acompanhamento longitudinal, precisamos discutir tempo em faixa com segurança, frequência de eventos graves e percepção de hipoglicemia. Controle não é só reduzir A1c. É reduzir risco cerebral silencioso.

Além disso, episódios repetidos podem reduzir a percepção autonômica dos sintomas, aumentando o risco de novas ocorrências e criando um ciclo perigoso de hipoglicemia inadvertida. Isso reforça a importância de revisar esquemas basais, fatores de correção, metas noturnas e educação contínua, especialmente em pacientes com histórico de eventos graves.

Qual é hoje a sua meta real de segurança glicêmica?

No diabetes tipo 1, o risco cardiovascular não é uma preocupação apenas do adulto de 40 ou 50 anos. Ele começa a se dese...
25/02/2026

No diabetes tipo 1, o risco cardiovascular não é uma preocupação apenas do adulto de 40 ou 50 anos. Ele começa a se desenhar ainda na adolescência. Alterações como aumento da espessura médio-intimal carotídea já foram descritas em jovens com DM1, mesmo antes de qualquer sintoma clínico. Isso significa que a aterosclerose pode iniciar silenciosamente, enquanto ainda estamos discutindo apenas glicemia e hemoglobina glicada.

O estudo clássico de Dabelea et al., publicado no JAMA em 2007, mostrou que adolescentes e adultos jovens com diabetes apresentam maior carga de fatores de risco cardiovascular quando comparados a pares sem diabetes. Pressão arterial, perfil lipídico e inflamação já começam a se alterar precocemente. Não é apenas sobre açúcar no sangue, é sobre exposição metabólica cumulativa.

Para nós médicos, isso reforça a necessidade de abordagem global desde cedo: controle glicêmico consistente, atenção à pressão, rastreio lipídico, incentivo à atividade física e combate ao tabagismo. Para pacientes e famílias, a mensagem é clara: prevenção não começa depois do primeiro susto, começa no primeiro ano de diagnóstico.

Além disso, precisamos abandonar a falsa sensação de segurança baseada apenas na juventude. Idade cronológica baixa não significa risco biológico baixo. A agressão metabólica crônica, mesmo em poucos anos de doença, pode modificar endotélio, promover disfunção vascular e preparar o terreno para eventos futuros. Prevenir no DM1 é proteger décadas de vida.

Estamos esperando o evento para agir ou estamos construindo proteção desde agora?

Referência: Dabelea D et al. Cardiovascular risk factors in youth with diabetes. JAMA. 2007.

A carga mental do DM1 não é “só psicológico”, é fisiologia em tempo real. Distress, fadiga decisória, hipervigilância e ...
24/02/2026

A carga mental do DM1 não é “só psicológico”, é fisiologia em tempo real. Distress, fadiga decisória, hipervigilância e sensação de falha constante aumentam ativação simpática e eixo HPA, elevam cortisol e catecolaminas, pioram sensibilidade à insulina e favorecem variabilidade glicêmica. O resultado é prático: mais hiperglicemias de estresse, mais correções, mais oscilação e um ciclo que retroalimenta exaustão e descontrole.

Na clínica, o sinal costuma aparecer antes do número: paciente que evita olhar o sensor, adia troca de conjunto, subestima carbo por medo de hipo ou vive em modo correção. Isso não é falta de adesão, é sobrecarga. E quando tratamos apenas a curva, ignoramos o que está por trás dela.

Para médicos, vale rastrear distress de forma estruturada, revisar metas individualizadas e reduzir o atrito terapêutico com ajustes finos de basal, fator de sensibilidade e alarmes. Para pacientes, nomear o cansaço já é intervenção. Pedir ajuda não é fraqueza, é parte do plano de cuidado.

Há evidência consistente de que níveis mais altos de diabetes distress se associam a pior controle glicêmico, independentemente de depressão maior, reforçando que sofrimento específico do diabetes tem impacto metabólico mensurável. Ignorar isso é perder uma variável clínica relevante.

Estamos tratando números ou pessoas?
Referência: Fisher L et al. Diabetes distress and glycemic control. Diabetes Care. 2010.

23/02/2026

E se fosse possível descobrir o diabetes antes dele aparecer?
Isso já está começando com inteligência artificial analisando dados de sensores de glicose.
Em vez de esperar o exame alterar…
a ideia é identificar padrões invisíveis antes da doença se manifestar.
Isso pode mudar completamente a medicina:
👉 sair do tratamento
👉 para a prevenção
Ainda está em estudo… mas o futuro é esse.
O que você acha disso?
📌 Fonte:
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12146165/
https://www.scripps.edu/news-and-events/press-room/2025/20250731-progress-glucose-spikes.html

22/02/2026

Um pâncreas feito de células vivas… com tecnologia dentro.

Parece ficção científica — mas já está sendo desenvolvido.

A ideia é criar um sistema que produza insulina de forma automática…
como um pâncreas de verdade.

Isso pode mudar completamente o tratamento do diabetes no futuro.

Mas atenção:

ainda está em fase de pesquisa
e não é um tratamento disponível hoje.

Mesmo assim… mostra pra onde a medicina está indo.

Você implantaria algo assim?

📌 Fonte:
https://www.thetimes.com/uk/science/article/first-cyborg-pancreas-implants-type-1-diabetes-nxkv8r0fp

21/02/2026

A maioria das pessoas acha que o diabetes tipo 1 aparece de repente.
Mas a verdade é que ele começa anos antes — silenciosamente.

Antes da glicose subir, o corpo já pode estar produzindo anticorpos que atacam o pâncreas.

E aqui está o ponto importante:
quem tem alguém na família com diabetes tipo 1 tem um risco até 10–15x maior de desenvolver a doença.

Mesmo assim, quase ninguém fala sobre isso.

👉 Estudos mostram que a presença de 2 ou mais autoanticorpos praticamente define o risco de desenvolver diabetes tipo 1 ao longo da vida.

👉 E diretrizes internacionais como ADA, ISPAD e SBD já reconhecem o diabetes tipo 1 em estágios antes dos sintomas, permitindo diagnóstico precoce.

👉 Programas de rastreamento mostram redução importante de cetoacidose no diagnóstico quando o risco é identificado antes.

Ou seja: não é só teoria — isso já está acontecendo.

Quando identificamos o risco antes, conseguimos acompanhar de perto e reduzir complicações graves.

Isso é medicina preditiva na prática.

Se você conhece alguém com diabetes tipo 1, envie esse vídeo.
Essa informação pode fazer diferença.



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A discussão “fenômeno do amanhecer (oualvorecer) versus efeito Somogyi” ainda aparece muito, mas a era do CGM mudou o jo...
20/02/2026

A discussão “fenômeno do amanhecer (oualvorecer) versus efeito Somogyi” ainda aparece muito, mas a era do CGM mudou o jogo: hoje dá para ver se a madrugada teve queda real com recuperação rebote, ou se houve uma subida progressiva no fim da noite até o despertar. Sem dado, vira tradição vestida de fisiologia.

Na prática, o amanhecer costuma se mostrar como elevação lenta e contínua nas horas finais do sono, sem hipoglicemia prévia, pedindo ajuste de basal e, às vezes, de timing. Já o Somogyi, que muita gente presume, exige evidência objetiva de hipoglicemia noturna antecedendo hiperglicemia, o que é bem menos frequente do que se ensinava quando a decisão vinha de uma glicemia isolada ao acordar.

Outro ponto pouco discutido é o impacto dos hormônios contrarregulatórios, como cortisol e GH, que aumentam na transição sono vigília e podem amplificar a resistência insulínica matinal. Ignorar esse contexto fisiológico e reagir apenas ao número do despertar pode levar a escaladas sucessivas de basal que resolvem um gráfico e desorganizam o restante do dia.

Para o paciente, isso muda tudo: corrigir basal no escuro aumenta variabilidade e risco de hipoglicemias. Para o médico, o recado é simples: ajustar basal exige padrão repetido em várias noites e correlação com rotina, atividade, álcool, horário da última refeição e bolus, não um dia ruim e uma hipótese automática.

Você confirma com dados ou presume?
Referência: Monnier L et al. Dawn phenomenon in type 1 diabetes. Diabetes Care. 2013.

Endereço

Avenida Das Américas, 3500/Bloco 4/Sala 703/Le Monde
Rio De Janeiro, RJ
22649900

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