Rodrigo Siqueira Endocrinologista

Rodrigo Siqueira Endocrinologista Página com informações sobre endocrinologia e metabologia!

No consultório, vemos todos os dias microvariações que parecem irrelevantes, mas que, quando acumuladas, viram o terreno...
03/12/2025

No consultório, vemos todos os dias microvariações que parecem irrelevantes, mas que, quando acumuladas, viram o terreno perfeito para perda de estabilidade glicêmica. São pequenas oscilações no pós-prandial, discretas quedas no meio da madrugada ou picos após lanches “inofensivos” que passam despercebidos quando olhamos apenas o panorama geral.

A lipodistrofia é outro ponto negligenciado. Pequenas áreas de endurecimento alteram de forma signif**ativa a absorção da insulina, criando uma verdadeira incompatibilidade entre a ação esperada e a entrega real. Muitas vezes, o problema não é a dose, é o local. E quantas vezes ajustamos insulina sem antes avaliar a pele com calma?

Outro erro frequente é interpretar o traçado da curva pós-prandial com foco apenas no valor final, ignorando velocidade e formato. Subida muito rápida, queda abrupta e picos curtos são marcadores de instabilidade, mesmo quando o “número final” parece aceitável. Essas curvas contam histórias que a glicemia isolada nunca vai contar.

Entre colegas, quero abrir esse diálogo: o que mais você observa na prática quando o paciente parece estável, mas não está?

Com o tempo, f**a claro que a maior parte do trabalho de quem vive com diabetes acontece longe dos olhos de todo mundo. ...
02/12/2025

Com o tempo, f**a claro que a maior parte do trabalho de quem vive com diabetes acontece longe dos olhos de todo mundo. São microdecisões constantes: ajustar insulina antes de entrar numa reunião, desconfiar de um sintoma discreto, carregar insumos sempre, tudo isso integrado à rotina como se fosse automático, quando na verdade exige atenção e energia o tempo todo.

Existe também uma força que raramente é reconhecida na consulta. Não se trata de “ser forte o tempo inteiro”, mas da capacidade de se reorganizar diante de números que mudam sem aviso, de noites interrompidas e da imprevisibilidade de um corpo que você tenta entender todos os dias. Como médico, vejo que essa força às vezes supera qualquer parâmetro biológico.

E há vulnerabilidades que não aparecem nos exames. A culpa por valores que não refletem o esforço real, o medo silencioso de uma hipoglicemia no momento errado, a sensação de estar sempre um passo atrás, tudo isso pesa. A medicina fala muito sobre metas glicêmicas, mas pouco sobre o impacto emocional de buscá-las continuamente.

Se você vive com diabetes, quero ouvir você: qual parte da sua rotina quase ninguém entende?

01/12/2025

Silenciosa, perigosa e invisível.
A gordura no fígado pode evoluir sem avisar.
Não é só uma gordurinha.

Apesar de ser um dos pilares do manejo moderno do diabetes tipo 1, a contagem de carboidratos ainda não se consolidou co...
29/11/2025

Apesar de ser um dos pilares do manejo moderno do diabetes tipo 1, a contagem de carboidratos ainda não se consolidou como cultura no Brasil. Falta educação nutricional estruturada, acesso a profissionais preparados e, principalmente, inclusão desse tema nos primeiros atendimentos após o diagnóstico, quando tudo ainda é confuso para a família e para o paciente.

Outro obstáculo é a grande variação dos rótulos nacionais. Informações incompletas, porções irreais e discrepâncias entre marcas dificultam o cálculo preciso. Na prática clínica, vemos pacientes perdidos entre tabelas antigas, estimativas improvisadas e soluções pouco confiáveis. O problema não é falta de vontade; é falta de ferramentas simples, consistentes e acessíveis.

A ausência de ensino formal pesa ainda mais. Crianças, adolescentes e adultos raramente aprendem a interpretar carboidratos na escola, nos serviços de saúde ou até em consultas rápidas. Resultado: cada pessoa precisa montar seu próprio caminho, quando o correto seria um protocolo claro desde o início.

Se você vive com diabetes, vale a reflexão: você já faz contagem de carboidratos? Qual método usa no dia a dia: rótulo, aplicativo, foto, tabela ou cálculo mental? Quero saber nos comentários.

A nova diretriz da SBD 2025 reforça algo que já vínhamos percebendo na prática: pessoas com diabetes tipo 1 e diabetes t...
28/11/2025

A nova diretriz da SBD 2025 reforça algo que já vínhamos percebendo na prática: pessoas com diabetes tipo 1 e diabetes tipo 2 apresentam maior risco de fragilidade óssea, mesmo quando a densitometria parece “normal”. O documento revisa critérios e destaca que a hiperglicemia crônica e o acúmulo de AGEs alteram a qualidade do osso, tornando-o mais rígido, porém estruturalmente mais frágil.

Outro ponto central é a mudança na estratif**ação de risco. Fraturas por baixo impacto precisam ser investigadas mais cedo em pessoas com diabetes, especialmente na presença de quedas leves, neuropatia periférica ou variabilidade glicêmica importante. A diretriz deixa claro: não basta olhar apenas o T-score; é essencial integrar história clínica, controle metabólico e marcadores funcionais.

No diabetes tipo 1, há impacto precoce pela menor aquisição de massa óssea. Já no diabetes tipo 2, mesmo com T-score preservado ou elevado, a arquitetura óssea é mais vulnerável. Isso muda nosso raciocínio clínico: densidade normal não signif**a segurança e esse ponto altera toda a abordagem, da triagem à prevenção.

Se você vive com diabetes e já teve quedas, dores ósseas ou fraturas “sem explicação”, leve esse tema para a próxima consulta. Pergunte sobre seu risco de osteoporose, peça para revisar exames e discuta estratégias de prevenção. Salve este post, compartilhe com quem tem diabetes e volte aqui se quiser que eu explique, em detalhes, o que muda no tratamento.

27/11/2025

A esteatose metabólica não é “uma gordurinha”.
Ela TRIPLICA o risco de infarto e AVC — e a maioria nem sabe que tem.
Cuide do seu fígado. Fale com seu médico.

Mesmo quem convive com diabetes há muito tempo sabe: existem momentos em que a glicose “faz o próprio roteiro”. Hormônio...
25/11/2025

Mesmo quem convive com diabetes há muito tempo sabe: existem momentos em que a glicose “faz o próprio roteiro”. Hormônios, rotina, pele, atraso de insulina… tudo isso mexe no resultado de um jeito que nem a melhor tecnologia consegue prever sozinha.

1. Hormônios do estresse
Cortisol e adrenalina podem elevar a glicose de forma rápida às vezes em minutos, mesmo que a alimentação e a insulina estejam em ordem. Reuniões tensas, trânsito, discussões, dor e até atividade física intensa podem gerar picos inesperados.

2. Noite mal dormida
Dormir pouco reduz a sensibilidade à insulina, aumenta resistência e deixa o corpo mais “travado” no dia seguinte. Não é frescura: é fisiologia. Um paciente pode repetir a mesma rotina, mesma dose… e acordar 50–80 mg/dL acima só por má qualidade de sono.

3. Bolus tardio
Aplicar a insulina depois da refeição, principalmente em carboidratos de absorção rápida, quase sempre resulta em picos difíceis de corrigir. O “atraso” faz a glicose subir antes da insulina começar a agir, e o paciente corre atrás do prejuízo.

4. Lipodistrofia
Alterações na pele por repetição de aplicações mudam completamente a absorção da insulina. A mesma dose pode parecer fraca ou imprevisível quando aplicada em áreas endurecidas. É uma das causas mais negligenciadas de descontrole glicêmico.

5. Variações hormonais naturais
Fenômeno do alvorecer, ciclo menstrual, puberdade e até horários específicos do dia modif**am a sensibilidade à insulina. É comum o paciente dominar o manejo por semanas e, de repente, tudo “mudar” sem explicação aparente.

Essas situações confundem até pessoas experientes e não é fracasso, é biologia. Quanto mais o paciente entende esses padrões, mais rápido ajusta e menos se desgasta emocionalmente. Educação prática não é detalhe: é ferramenta de sobrevivência no diabetes.

Qual delas mais bagunça a sua glicose?

No Brasil, ainda vemos muitas crianças com diabetes tipo 1 sendo diagnosticadas tardiamente, em plena emergência, quando...
21/11/2025

No Brasil, ainda vemos muitas crianças com diabetes tipo 1 sendo diagnosticadas tardiamente, em plena emergência, quando já apresentam vômitos, respiração rápida e risco de cetoacidose. Isso reforça o quanto a educação em diabetes pediátrica precisa começar cedo e envolver toda a família.

Um dos pilares mais importantes dessa educação é a contagem de carboidratos. Ajustar a insulina ao que a criança realmente come traz previsibilidade, reduz oscilações glicêmicas e devolve liberdade alimentar. Na prática, signif**a entender que dois pãezinhos franceses têm cerca de 60g de carboidratos, que um prato típico de arroz e feijão pode passar de 45–50g, enquanto ovos, verduras e proteínas quase não exigem insulina adicional.

Cada vez mais centros especializados no país têm incorporado materiais simplif**ados, tabelas de alimentos regionais e participação ativa de nutricionistas para ensinar famílias a fazer esse cálculo. Quando a família aprende a contar carboidratos, reduz internações, melhora o controle glicêmico e ganha autonomia para decisões mais seguras no dia a dia.

E você? Já faz contagem de carboidratos com seu filho ou paciente? Qual ferramenta usa no dia a dia? Tabela, app, rótulos, cálculo próprio? Compartilhe aqui.

A gestação em mulheres com diabetes tipo 1 exige um nível de precisão glicêmica que, muitas vezes, ultrapassa o que o ma...
19/11/2025

A gestação em mulheres com diabetes tipo 1 exige um nível de precisão glicêmica que, muitas vezes, ultrapassa o que o manejo manual consegue oferecer. O novo estudo publicado no JAMA confirma isso ao mostrar que tecnologias de automação da insulina, podem oferecer até 3 horas a mais por dia dentro da faixa-alvo durante a gravidez. Isso não é apenas um número: é redução real de complicações para mãe e bebê.

Embora o sistema estudado não esteja disponível no Brasil, o princípio por trás dele já faz parte da rotina de muitas brasileiras. Plataformas híbridas, recursos de automação gradual e ajustes inteligentes de microbolus, quando bem configurados, conseguem reproduzir o que o estudo validou: respostas rápidas, contínuas e personalizadas às mudanças glicêmicas, que são especialmente intensas ao longo da gestação.

Na prática clínica brasileira, vemos que qualquer forma de automação, independente do nome, fabricante ou protocolo, tende a oferecer curvas mais estáveis, menos hipoglicemias, menos picos inesperados e uma carga mental signif**ativamente menor. Isso se traduz em menor risco de pré-eclâmpsia, menor taxa de prematuridade, menos macrossomia e melhores desfechos no período neonatal. É a tecnologia funcionando como uma “camada adicional de segurança” em um momento de extrema sensibilidade.

A mensagem principal do estudo, aplicada ao Brasil, é simples: quando a paciente tem acesso a alguma forma de automação e conta com uma equipe treinada para acompanhar de perto, o impacto é concreto. O foco não é no dispositivo, é no conceito. Para quem planeja engravidar ou já está gestando com diabetes tipo 1, discutir opções de automação disponíveis, avaliar segurança individual e intensif**ar o acompanhamento com CGM podem mudar o caminho da gestação de forma profunda.

Referência: Donovan LE et al. Closed-Loop Insulin Delivery in Type 1 Diabetes in Pregnancy. JAMA, 2025.

15/11/2025

Primeira mini bomba da Medtrum instalada por aqui! 💙
Pequena, discreta e super inteligente — mais liberdade e precisão para quem vive com diabetes.
Tecnologia que faz diferença na vida real. 🚀

No Dia Mundial do Diabetes, eu penso menos em números e campanhas, e mais nas histórias que acompanho todos os dias. His...
14/11/2025

No Dia Mundial do Diabetes, eu penso menos em números e campanhas, e mais nas histórias que acompanho todos os dias. Histórias de quem acorda já calculando, medindo, conferindo e ajustando, antes mesmo de pensar em café. Histórias de quem lida com altos e baixos físicos e emocionais que quase ninguém vê, mas que moldam uma força silenciosa e gigantesca.

Conviver com diabetes não é apenas seguir metas glicêmicas; é equilibrar responsabilidades, medos, frustrações e vitórias pequenas que, para muitos, passam despercebidas. Por isso, quando digo que admiro sua força, não é figura de linguagem, mas reconhecimento de uma rotina que exige coragem diária, mesmo nos dias mais difíceis.

Como médico, sei que o cuidado não depende de uma data. Mas se hoje serve para algo, que seja para lembrar que você merece acolhimento, acesso, informação e suporte, não apenas no 14 de novembro, mas todos os dias do ano. Diabetes não é sobre perfeição; é sobre consistência, paciência e respeito ao próprio corpo.

Que este dia traga consciência para o mundo e leve você a um passo de mais autocuidado. Porque, de verdade: se eu pudesse pedir algo hoje, seria que o mundo enxergasse a força que você carrega silenciosamente todos os dias.

Quem vive com diabetes tipo 1 (ou mesmo tipo 2 em uso de insulina) sabe que o medo de uma hipoglicemia nunca desaparece ...
12/11/2025

Quem vive com diabetes tipo 1 (ou mesmo tipo 2 em uso de insulina) sabe que o medo de uma hipoglicemia nunca desaparece completamente. A queda brusca da glicose pode acontecer em minutos e o que você fizer (ou não fizer) nesse intervalo define o desfecho.

Por isso, a prevenção começa antes: revisar doses de insulina, checar glicemias noturnas e entender como alimentação, atividade física e álcool interferem no seu controle. Dormir com valores muito baixos ou exagerar na correção antes de deitar são erros comuns. O ideal é garantir níveis seguros antes do sono e ter sempre fontes rápidas de glicose por perto.

Durante o dia, o segredo é agir rápido:
➡️ Ao sentir tremores, sudorese, palpitação, tontura ou confusão mental, verifique a glicemia.
➡️ Se estiver abaixo de 70 mg/dL, corrija com 15g de carboidrato simples (exemplo: 3 colheres de chá de açúcar dissolvido em água, 1 sachê de glicose ou 150 mL de suco comum).
➡️ Espere 15 minutos e reavalie. Se continuar baixa, repita a correção.
❌ Evite chocolate, barras de cereal e leite, eles contêm gordura e proteína, que atrasam a absorção e podem mascarar o problema.

Mas e quando o quadro foge do controle?
Em casos graves, quando a pessoa está inconsciente ou incapaz de engolir, o glucagon continua sendo o tratamento de escolha. No entanto, se ele não estiver disponível, é fundamental que familiares ou colegas saibam não tentar oferecer alimentos ou líquidos, e acionem imediatamente o SAMU (192) para atendimento emergencial.

Além disso, manter um kit de correção rápido na bolsa, no trabalho e em casa, informar amigos e familiares sobre o que fazer em uma crise e usar tecnologias como sensores contínuos de glicose podem ser estratégias poderosas para evitar sustos. Estar preparado é uma forma de autocuidado, porque quem se protege bem, vive melhor.

Como você se protege da hipoglicemia?

📍Converse com seu endocrinologista sobre seu plano de ação em hipoglicemias.
Referência: American Diabetes Association. Standards of Care in Diabetes — 2025.

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Rio De Janeiro, RJ
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