02/07/2013
Londrinense recebe prêmio por pesquisa sobre idosos. Estudo feito por aluno da Unopar destaca importância da caminhada para prevenção de quedas na terceira idade e recebe Prêmio Funadesp.
Tombos são comuns na infância e velhice, mas enquanto as crianças se recuperam rapidamente, entre os idosos as quedas são a terceira causa de mortalidade e a primeira de morbidade (incapacidade física). À medida que crescemos aprimoramos este equilíbrio por meio do desenvolvimento motor natural mas se não mantivermos um estilo de vida saudável com caminhadas e atividades físicas, poderemos perder 70% desta capacidade ao chegar à terceira idade. Um estudo recente feito por um aluno da Unopar suporta essas evidências e destaca a importância da caminhada para a manutenção do equilíbrio postural e a prevenção de quedas entre os idosos.
A pesquisa de Márcio Rogério de Oliveira, aluno do último ano do curso de Fisioterapia da Unopar obteve destaque e ganhou o Prêmio Funadesp (Fundação Nacional de Desenvolvimento do Ensino Superior Particular) de Iniciação Científica – ano 2011. Márcio vai receber o prêmio no próximo dia 3 de outubro no Centro Universitário São Camilo, em São Paulo, durante o IX Encontro Anual da Rede de Dirigentes de Graduação das IES Particulares.
O trabalho de Márcio recebeu o título de “O Impacto da Capacidade Funcional de Exercício no Equilíbrio Postural de Idosos” e foi realizado sob a orientação doprofessor doutor Rubens Alexandre da Silva Junior, do programa de mestrado em reabilitação, como uma linha de pesquisa dentro do Projeto EELO (Estudo Epidemiológico sobre Longevidade em Londrina), que já existe na Unopar desde junho de 2009.
“Hoje a maior causa de quedas entre os idosos é a perda do equilíbrio. Isso pode ocorrer devido a uma fraqueza ou fadiga muscular, falha no sistema neuromuscular ou perturbação externa”, explica o professor Rubens. O estudo descobriu que os idosos que têm maior capacidade de se exercitar também têm melhor equilíbrio. Para chegar a esta conclusão os pesquisadores submeteram um grupo de 41 idosos a um teste de caminhada de 6 minutos de intensidade baixa a moderada. Depois, eles passaram por uma avaliação de equilíbrio. “Constatamos que os idosos que caminham mais têm melhor equilíbrio e, portanto, têm menos riscos de sofrer quedas”, complementa Rubens.
De acordo com o professor, a pesquisa confirma a recomendação do Colégio Americano de Medicina, de caminhadas diárias de 30 minutos de 3 a 5 vezes por semana. “Além de preservar o equilíbrio, essa atividade evita doenças cardiovasculares e garante uma velhice mais saudável”, adianta Márcio.
Os dois pesquisadores explicam que a caminhada envolve grandes grupos musculares e tem a ação da gravidade o tempo todo. “É uma atividade simples e funcional. Nós não afirmamos que a caminhada é o melhor exercício para manter o equilíbrio mas demonstramos que ela tem um efeito determinante na manutenção do mesmo”, indica Rubens. “Enquanto caminhamos, a ação da gravidade muda de lugar e de intensidade durante todo o tempo por isso temos que estar nos ajustando a cada passo. Isso é um excelente exercício de equilíbrio”, explica Márcio.
Para avaliar os idosos foi usada uma plataforma de força, um equipamento de altatecnologia considerado o melhor instrumento que existe hoje para determinar a condição de equilíbrio humano. Em Londrina, apenas a Unopar tem esse equipamento em funcionamento, atualmente. “Depois de caminhar, o idoso ficava parado num pé só durante trinta segundos em cima da plataforma. Esses poucos segundos foram suficientes para detectar os déficits de equilíbrio associados às oscilações posturais”, diz Márcio.
Prevenção:
Estudos feitos no próprio laboratório coordenado pelo professor Rubens mostram que existe uma diferença de 70% no déficit de equilíbrio entre idosos e adultos jovens (idade média de 23 anos). Segundo o professor Rubens, entre os 20 e os 70 anos, essa perda vai se acumulando numa média de 15% a cada década. “Idosos que fazem atividade física conseguem reduzir essa perda pela metade.
As pessoas que caminham desde a juventude também minimizam essa perda”, aponta. O objetivo do estudo, é claro, é conscientizar as pessoas para essa possibilidade de prevenção. “Nossa preocupação é mostrar que é possível envelhecer de maneira mais saudável, sem perder tanto do equilíbrio que é fundamental para a nossa qualidade de vida. A ideia não é fazer só os idosos caminharem mas principalmente os jovens”, frisa o professor.
Entusiasta da caminhada, Márcio lembra, no entanto, que andar o dia inteiro não é a mesma coisa do que separar 30 minutos diários para fazer um exercício contínuo. “Essa caminhada precisa ser feita com calçados e roupas adequadas, sem pausas e com uma intensidade que seja confortável mas que aumente a frequência cardíaca e respiratória de forma moderada”, detalha. O professor Rubens lembra que é importante procurar um profissional de Educação Física para receber orientações sobre o ritmo e a frequência do exercício.
Portal Bonde Editoria: Saúde-Pesquisas