16/12/2025
O paradoxo do familiar
A interpretação que eu faço do complexo de Édipo não passa tanto por uma ideia de apaixonamento pelos cuidadores, de rivalidade com o cuidador do s**o oposto.
Também não penso que o complexo de Édipo é universal ou filogenético, como Freud buscou sustentar.
Édipo para mim tem a ver com o modo como aprendemos a fazer vínculo.
Em uma sociedade patriarcal burguesa, uma família é composta de papai, mamãe e filho e o cuidado circula entre essas posições. Em outras sociedades a própria concepção de família é diferente, o cuidado é mais horizontal, mais transversal, perpassa toda uma coletividade. A experiência da amamentação, inclusive, é mais circular e coletiva, menos centralizada na figura de uma única mãe.
Ou seja, a depender de qual modelo de sociedade estamos falando, os vínculos primários vão se constituir de uma ou de outra forma. Mas, no fim das consta, a questão aqui é o vínculo e a sua qualidade.
Em famílias disfuncionais, onde há negligências, violentas, agressões, isso acaba sendo introjetado para o bebê ou para a criança de algum modo, pois para o bebê ou a criança, que se encontram na posição mais vulnerável de todas, é mais importante construir algum laço do que nenhum. É mais importante
Tudo isso me faz pensar que por vezes repetimos alguns padrões que são violentos para conosco mesmo porque isso é o conhecido, é o familiar, é o seguro. No entanto, o familiar pode ser uma grande prisão. E é tão libertador quando essa ficha cai em análise.