17/08/2013
As Tradições Pagãs
"Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens".
Vinicius de Moraes.
Posted by Lunna Guedes
Como a grande arte se ramificou em diferentes e distintas regiões do mundo ao longo dos tempos, criou-se uma espécie de ordem para denominar todos esses caminhos percorridos que recebeu o nome de “tradição”. O objetivo dos pesquisadores era gerar uma identificação natural de símbolos para com determinado povo e suas crenças – identificando assim seus hábitos e maneiras cotidianas.
As crenças foram então subdivididas em três grupos distintos: politeísmo histórico, de onde se originam as mitologias célticas, egípcias, gregas e também o paganismo nórdico. Religiões indígenas e folclóricas, tais como a religião tradicional chinesa e as africanas. E por fim o neopaganismo que surgiu por volta de 1950. Embora não seja possível precisar essa data já que o ano citado é baseado no suposto início dos estudos introdutórios de Dr. Gerald Gardner de quem falarei num post futuro. Nesse grupo estão a wicca e o neopaganismo germânico que muitos tentam relacionar a Hi**er.
As tradições seguem influências de seus criadores, como no caso da Wicca, em que o Dr. Gerald Gardner teria estudado formas sobreviventes de adoração pré-cristã. Mas como não conseguia participar desses círculos por não possuir um elemento muito importante para seus praticantes: a hereditariedade – viu-se tentado a investigar tanto quanto pôde os cultos e rituais. Para tal, ele teria feito contato com inúmeras pessoas e acabou a partir desse seus estudos criando a Wicca ou Wichcraft.
A wicca passou então a ser considerada como sendo uma religião por muitos, mas se trata apenas de uma tradição politeísta que se baseia até onde se sabe em tudo que ele conseguiu saber dos rituais sagrados dos antigos, contudo, acredita-se que há uma grande mistura de ritos e cultos. Da magia negra ao paganismo africano e até mesmo para com os dogmas cristãos. Dr. Gerald Gardner, ao que tudo indica, se esforçou bastante para fazer parte desse universo que lhe fechou as portas, mas não desistiu. Logo, acabou se aprofundando em suas escolhas, criando seu próprio caminho e claro, terminou por deixar um novo legado politeísta para aqueles que o seguiram e ainda seguem.
O que se percebe é que por não ter regras, ser passado de geração em geração, dentro de uma mesma família, a cultura politeísta permite que cada um agregue seus próprios valores, dando características singulares ao culto e ao rito.
O que nos leva de encontro a um conclusão bastante simples: houve um grande equivoco por parte dos historiadores ao determinar a criação de “tradições” quando estas deveriam se limitar a serem determinadas apenas como sendo: “covens”. Logo. Wicca seria um coven de Dr. Gerald Gardner tanto quanto a Tradição Diânica Nemorensis, criada pelo brasileiro Claudiney Prieto.
O que gera contradições é que a maioria dos historiadores agregaram a estrutura dessas ditas “tradições” algo pouco comum ao politeísmo: um conjunto de regras que servem como orientação para aqueles que a praticam. Regras são comuns em covens que são formados por um grupo de pessoas de no máximo 13 integrantes, mas não é comum à cultura pagã. Não é obrigatório se encontrar num determinado ponto, tão pouco usar vestimentas específicas. A prática pagã é livre e reza a vontade de cada um, ao contrário do coven que precisa de um conjunto de regras especificas para que todos possam conviver harmoniosamente, respeitando-se entre eles.
O politeísmo te leva de encontro a uma infinidade de deuses cuja origem está no que hoje é considerado por muitos como sendo um conjunto de mitos e lendas da humanidade. Cada povo que teve em suas origens o politeísmo praticou seus ritos de uma forma distinta, louvando sempre a fertilidade através de homenagens rendidas a natureza de onde proviam as mudanças temporais.
Outra característica comum ao politeísmo é que os deuses e deusas proviam do próprio humano. Pessoas que se destacavam pela força, intelecto e qualidades especificas, como o dom da escrita, da pintura – entre outros eram reverenciadas, sendo mais tarde cultuadas por sua gente. Todos os deuses politeístas viveram entre os seus na condição de humano.
Para compreender tudo isso, os historiadores precisaram identificar esses grupos e seus elementos – rotulando-os, se de maneira equivocada ou não, o fato é que foi feita uma divisão e consequentemente uma subdivisão, criando assim as tradições que hoje são usadas por aqueles que se interessam por viver o politeísmo como maneira de identificação com determinados povos…
É preciso lembrar também que durante tempos a palavra paganus foi evitada pelos etnólogos devido aos seus significados incertos e variados, preferindo assim definir categorias especificas e mais precisas para seus estudos, tais como: politeísmo, xamanismo, panteísmo ou animismo.
Lembrando que a cultura cristã adotou para si o termo “pagão” como sendo pessoas não batizadas o que dificultou durante muito tempo a utilização do mesmo em estudos e pesquisas.
O paganismo hoje, pode ser subdividido em centenas de tradições – tenho estudado muitas delas e continuo com o mesmo pensamento de antes, ou seja, são covens que foram organizados por pessoas que se dedicaram a estudar a arte e passar para determinados grupos de pessoas – uma ordem local, secreta e silenciosa que hoje pode ser estudada graças a certos elementos que sobreviveram aos seus praticantes, o que nos permite também compreender um pouco melhor essa arte…
Apenas para exemplificar como foi feita a subdivisão do paganismo nos dias de hoje, segue abaixo a relação das principais tradições do paganismo moderno:
- Wicca, de Gerald Gardner
- Druídismo
- Tradição Nórdica
- Xamanismo
- Tradições Femininas
- Tradições Masculinas
Posted in Estudos da grande arte
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