20/02/2026
“Estamos no mesmo barco.”
Essa frase costuma vir como tentativa de acolhimento.
Mas, muitas vezes, simplifica o que é complexo.
Podemos até estar no mesmo mar.
No mar do abandono.
Da invisibilidade.
Da exaustão.
Da injustiça.
Da dor física ou emocional.
Mas os barcos são diferentes.
Alguns estão ancorados, com rede de apoio, recursos, estabilidade.
Outros estão em alto mar, enfrentando tempestades constantes.
Alguns estão batendo em pedras invisíveis.
E há aqueles que já estão entrando água, tentando não afundar.
Comparar dores a partir da própria régua é um erro comum.
Experiências parecidas não significam estruturas emocionais iguais.
Empatia não é dizer “eu sei exatamente como você se sente”.
É reconhecer que talvez você não saiba, e ainda assim escolher permanecer com respeito.
Cada pessoa atravessa o mesmo mar com condições internas e externas diferentes.
Antes de afirmar que é o mesmo barco, talvez a pergunta mais cuidadosa seja:
“Como está sendo essa travessia para você?”
Se essa reflexão fez sentido, compartilhe.
A forma como validamos a dor do outro pode aliviar… ou aprofundar o isolamento.