26/07/2021
SOBRE A RELAÇÃO MÉDICO PACIENTE...
Outro dia li uma colega médica que dizia que se sentia como se dançasse tango com seus pacientes. Precisa de um compasso, de uma parceria, acertar o ritmo, e, é claro, pode (e deve) ser também ser divertido e prazeroso todo o processo de tratamento, melhora e cuidado.
Eu sempre vi a relação médico-paciente-cirúrgica como um salto duplo de paraquedas. Sempre foi a minha visão comparativa.
"Doutora, mas é simples né?".
O paciente vai dormir, ficar inconsciente, entregar literalmente seu corpo para a equipe médica, iremos administrar medicações que ele não terá controle ou consentimento no momento, será feito cortes, remoções de órgãos, costuras e ao término, esperamos que você se sinta melhor, aliviado de dores, com uma sensação de sono apenas.
Como isso pode ser simples?
Tem que ter muita confiança. Muita responsabilidade. Muito compromisso.
Enquanto o paciente dorme e cai em voo livre, tem pessoas ali responsáveis para garantir que o paraquedas vai abrir, que tem plano B, plano C, que vão se comprometer até o fim de chegar em segurança no chão com você.
Quando paciente tem dúvidas, eu sempre sugiro ouvir outra opinião. Quando me pedem indicações de outras especialidades, eu sugiro ouvir outras opiniões. Já vi pacientes entrarem em outros tratamentos com a expressão na face... "isso não vai dar certo...". Às vezes você pode estar na frente do melhor currículo, mas pode não ter tido empatia. Pesquise sobre seu médico, converse, e veja se a relação iniciada na consulta médica é a que te atende. Alguns casos podem ser resolvidos em consultas e conversas breves, outras necessitam de um tango mais ritmado para dar certo e em outros é queda livre, e, paciente e médico precisam estar de mãos dadas embaixo do mesmo paraquedas para chegarem juntos aos final.