08/12/2025
Hoje, em Copacabana, o que se viu não foi apenas um ato político.
Foi uma resposta coletiva a um fenômeno que, do ponto de vista psicológico, não é episódico — é estrutural.
A violência contra as mulheres não começa nem termina no ato físico.
Ela se sustenta na repetição, na negligência institucional, na banalização jurídica e numa cultura que minimiza, relativiza e silencia.
Quando o Estado falha, quando o sistema de justiça relativiza a violência, o trauma se cronifica.
O medo se torna permanente.
A hipervigilância vira modo de existir.
A culpa é introjetada.
E o silêncio passa a funcionar como estratégia de sobrevivência.
Decisões que minimizam a violência também produzem morte psíquica — e, muitas vezes, morte real.
Como psicóloga, não posso tratar o sofrimento produzido pela violência sem nomear as estruturas que o mantêm.
Cuidar da saúde mental das mulheres também é denunciar sistemas que adoecem, humilham e matam.
Não é só sobre proteção individual.
É sobre responsabilidade social, institucional e ética.
Violência contra a mulher não é exceção.
É um problema público, político e de saúde mental coletiva.
Enquanto for tratada como “caso isolado”, continuará sendo rotina.
A manifestação de hoje foi linda, necessária e emocionante.
Porque quando mulheres se juntam, a violência perde o monopólio do silêncio. 💜✊
&Seguras
̂nciacontraamulher