30/03/2016
MEDO DO DENTISTA AINDA PRECISAMOS TER?
Ir ao dentista pode causar dor e ansiedade para muitas pessoas. Uma grande porcentagem da população ainda tem medo de ir ao dentista.
Pinças, brocas, alicates, seringas e agulhas. E ainda preparados de sabor ruim. À primeira vista, todos esses instrumentos e materiais não são tão atraentes. Talvez por isso, ir ao dentista seja uma daquelas tarefas que deixaríamos de fazer, se fosse possível. Algumas situações dentro do consultório odontológico se apresentam como fatores determinantes para o aparecimento de alguma fobia relacionada ao dentista, para alguns a cadeira reclinada causa verdadeira sensação de insegurança, para outros o barulho do motor é provocador de verdadeiros arrepios na espinha. E às vezes o sofrimento começa antes mesmo de a pessoa entrar no consultório. Mas o paciente não é o único a sofrer: o dentista enfrenta a própria ansiedade. E entre todas as profissões da área médica talvez seja a menos “poética”: além de passar o dia todo com as mãos na boca dos outros, o profissional ainda precisa ajudar os pacientes superar seus pavores.
O medo de dentista é um fenômeno conhecido há centenas de anos. As primeiras crônicas remontam à Idade Média. De fato, naquele tempo, havia motivos reais para ter medo do dentista. Mas hoje? A ciência e a tecnologia para reduzir a dor evoluíram muito, bem como a consciência a respeito da importância de manter uma relação de delicadeza e confiança com os pacientes. Ainda assim, o medo antigo permanece. Os inúmeros estudos que procuraram quantificar a difusão desse medo chegaram mais ou menos à mesma conclusão: quase 50% da população vai ao dentista com certa dose de ansiedade.
Por isso o dentista hoje possui matérias em seu currículo que abrangem o emocional do paciente, psicologia em odontologia é uma disciplina curricular na maioria dos cursos de odontologia, fora isso todas as especialidades odontológicas possuem essa preocupação: tratar um paciente e não um dente ou uma patologia específica. É comum ouvirmos a expressão dentro das faculdades de odontologia: -“não devemos tirar o dente de dentro do paciente, eles são um só!”. Isto por que o paciente chega a nós com problemas que superam em muito o campo odontológico e é imprescindível que o profissional tenha a capacidade de entender isso para que ele possa contornar todas as situações de estresse que possam ocorrer no ambiente do consultório. Todo dentista tem um pouco de analista, tem um pouco de psicólogo.