27/04/2026
A rotina intensa e, muitas vezes, solitária de mães de crianças e adolescentes com autismo no Brasil revela um problema quase invisível: o desgaste emocional dessas mulheres. Entre consultas, terapias e a busca constante por inclusão na sociedade, elas acumulam responsabilidades que se renovam a cada dia.
Além do cuidado constante com os filhos, essas mulheres enfrentam barreiras para garantir um atendimento de saúde adequado, acesso às políticas públicas eficazes e nem sempre contam com uma rede de apoio que possa tornar essa trajetória menos exaustiva.
Por isso, além de esgotadas, elas podem se sentir sozinhas e desenvolver transtornos mentais, como depressão e ansiedade generalizada. A seguir, veja como identificar sinais de alerta, entender a importância da rede de apoio e do autocuidado para diminuir a sobrecarga diária.
Para muitas mães, o diagnóstico desperta sentimentos contraditórios: de um lado, o alívio por finalmente entender o que acontece com o filho; de outro, o luto pela quebra das expectativas construídas sobre a maternidade.
Também são comuns medo, insegurança, solidão e sensação de desamparo. Com o tempo, a rotina de terapias, consultas, adaptações escolares e a busca constante por direitos pode se tornar uma sobrecarga.
Diversos estudos têm mostrado que o cuidado diário de uma criança com autismo pode refletir na saúde emocional das mães. Em uma pesquisa com 1.924 participantes, cerca de 31% apresentaram sintomas consideráveis de ansiedade e 22% de depressão. O levantamento também observou que, quanto maiores as demandas relacionadas ao autismo, maiores tendem a ser os níveis dessas condições.
Em um estudo brasileiro com 35 mães, 65,7% tiveram indicação de transtornos mentais comuns, como ansiedade ou depressão, além de relatarem uma qualidade de vida mais baixa.
De acordo com Mariana, o burnout materno também aparece com o sentimento de aprisionamento. Muitas relatam a sensação de que estão funcionando no automático, como se estivessem apenas sobrevivendo. A especialista reforça que quando o cuidado perde o sentido e passa a ser vivido apenas como um peso, trata-se de um sinal de alerta que merece atenção.