22/02/2026
Mutações do Ser
(...) fácil é a descida aos infernos; noite e dia o portão do deus sombrio está aberto: mas o retorno aos ares luminosos do céu se faz por caminhos cheios de provações. (...)
VIRGÍLIO. Eneida, livro VI, 126- 129
Os infernos "astrais" (psíquicos) que abatem a sociedade atual, precisam ser olhados como portais iniciáticos para um possível retorno. Retorno esse , aos moldes da parábola do filho pródigo, sem necessariamente implicar religião, mas no sentido da reconexão com o elemento humano que perdeu-se no mar da artificialidade contemporânea.
É preciso voltar a respirar devagar; é urgente se dar conta que há um nascer e um pôr-de- sol que devem ser contemplados, (se por exemplo trocarmos o celular no despertar logo pela manhã da tempo de ver o nascer do sol sim) e talvez até voltar a sorrir ao invés das rápidas gargalhadas que damos dos reels rápidos e inconsistentes.
Isso seria ainda uma introdução apenas, para logo mais, pensar na reconfiguração do espírito (não religioso, mas psíquico) e prodigalizar com as virtudes da própria alma que abandonamos por causa das quimeras ofertadas em todos os cantos.
Isso significa que , é preciso morrer simbolicamente para dar espaço ao renascimento, por que sem metamorfose, o espírito morre de tédio, morre inteiro todos os dias, mesmo existindo, e com isso, os sintomas dolorosos da atualidade.
Pense nisso, e se pergunte com coragem: como está minha alma?